Carlinhos Cachoeira buscou os governadores Colombo e Beto Richa

Além de tentar emplacar prestação de serviços de lotarias estaduais em Mato Grosso, o bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo, também buscou contatar mais governadores, como Raimundo Colombo (PSD) e Beto Richa (PSDB).

O Silval Barbosa (PMDB) classificou como “conversa de boteco”, em entrevista recente, concedida após a publicação de diálogos que mostram Adriano Aprígio de Souza, cunhado do bicheiro Carlinhos Cachoeira, e o argentino Roberto Coppola, consultor do bicheiro, comemorando a reeleição de Barbosa e comentando o interesse em assumir a Loteria do Estado de Mato Grosso (Lemat).

De acordo com o governador de MT, a tese de que Carlinhos Cachoeira tentou controlar a Lemat não passa  “de uma conversa de boteco entre malucos sobre um terceiro que não tem conhecimento”. Matéria publicada hoje pelo Congresso em Foco revela que o bicheiro ainda pretendia comandar as loterias de outros estados. Confira abaixo a matéria publicada hoje no Congresso em Foco.

Na tentativa de emplacar prestação de serviços de loterias estaduais, o grupo do empresário de jogos de azar Carlinhos Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo, buscou contato com os governadores recém-eleitos de Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB); de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD e ex-DEM), e do Paraná, Beto Richa (PSDB). Segundo telefonemas de Cachoeira interceptados pela Polícia Federal, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), ajudou a evitar a extinção de uma estatal que controla loterias em Santa Catarina. Perillo nega e os demais governadores dizem que não negociaram nada com o bicheiro, que é o centro das investigações da CPI criada na quinta-feira (19) no Congresso.

No primeiro turno das eleições de 2010, Silval é reeleito em Mato Grosso. Beto Richa e Colombo ganham no Paraná e em Santa Catarina. Dois dias depois, em 5 de outubro, às 8h39, o ex-cunhado de Cachoeira, Adriano Aprígio de Souza, envia email ao argentino Roberto Coppola, consultor em jogos de azar. Ele comemora o resultado as urnas e pergunta como estão os contatos com os futuros governantes sobre as loterias estaduais. Questiona como teria sido a reunião de Coppola com Richa: “Roberto, viu o resultado no Mato Grosso? Foi reeleito o governador. E como ficou Santa Catarina agora? Paraná aquele encontro com foi bom (sic) com o governador eleito?”

Em resposta, às 18h52, o argentino Roberto Coppola mistura português com espanhol para dizer que o grupo vai conseguir ver implantada a loteria no Mato Grosso e em Santa Catarina. Afirma ainda que se reuniu com Colombo e com Richa. No primeiro, o resultado teria sido “bom”, segundo ele porque o coordenador da campanha de Colombo é que seria designado para dirigir a loteria. Mas com Richa, porém, o problema era que seu antecessor, o hoje senador Roberto Requião (PMDB), extinguira a loteria estadual.

“Em Santa Catarina también foi bon con Colombo porque o presidente da loteria era o jefe da campanha de Colombo. Em Paraná, fale com Beto Richa, o problema é que Requion por ler fecho a loteria e va a demorar, porque tein que facer uma nova lei. Esse filho da puta do Requion hasta que foi embora, incho o saco”, diz Copolla, no portunhol que usou no email.

Em 9 março de 2011, o governador de Goiás, Marconi Perillo, encontrou-se com Colombo em Santa Catarina. Oficialmente, foi uma visita “de cortesia”, segundo assessores do catarinense, ou, segundo comunicado do governo goiano, uma reunião para falar sobre “parcerias público-privadas”, com a participação inclusive do ex-presidente da companhia de energia de Goiás Ênio Branco, que hoje é secretário de Comunicação de Colombo. Mas, em diálogo de 10 de março, Cachoeira diz a um interlocutor não identificado pela Polícia Federal que Perillo, na verdade, foi convencer Colombo a não fechar a Companhia de Desenvolvimento de Santa Catarina, a Codesc, que administra a loteria inativa do estado.

“Inclusive tava com o governador de Goiás e levou o governador de Goiás pra falar com o governador de Santa Catarina”, explica Cachoeira, em telefonema grampeado às 15h41. Na conversa com o bicheiro, o interlocutor diz estar preocupado com a possibilidade de extinção da Codesc e, consequentemente, do negócio do jogo no sul do país. “Se acabar com a Codesc, acaba com a loteria”, alerta o homem não identificado. Essa mesma pessoa diz que Ênio Branco “estava tratando de tudo”.

A assessoria de imprensa de Colombo e de Branco afirma que a reunião teve mais de dez pessoas presentes e não tratou de jogo. Branco, porém, admite ter sido procurado por pessoas – das quais não se lembra – interessadas na manutenção da Codesc, a empresa que controlava o jogo no estado, mas não levou a questão adiante porque Colombo era contra o jogo.

Perillo rejeitou qualquer reunião para favorecer os negócios de Cachoeira. “Nunca conversei sobre legalização do jogo com quem quer que seja”, disse ele ontem (19), em nota ao Congresso em Foco. “Não gosto de jogos, exceto os de natureza esportiva, e procuro sempre desestimular quem joga.”

A assessoria de Colombo afirmou ao site que não existe possibilidade de as loterias voltarem a funcionar no estado. Entretanto, o presidente da Codesc disse, numa entrevista ao jornal Diário Catarinense, que há uma comissão que estuda o assunto. Procurado pela reportagem, Ximenes não retornou os pedidos de entrevista feitos ontem.

fonte: Lucas Bólico

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