A política é como o boxe: quem não bate, apanha…

         Um dia escrevi que se o golpe vier, Lula tem de ir às ruas. É o título do artigo. Muitos leitores concordaram comigo. Entretanto, outros me contestaram, e alguns resolveram optar pelas ofensas pessoais. Até entendo, porque faz parte do processo quando você escreve para o público e em sites ou portais que milhares de pessoas acessam-nos diariamente e emitem suas opiniões e defendem seus princípios políticos, de classe social, suas ideologias e até mesmo seus preconceitos, alguns com conotações raciais ou estéticas. Enfim, compreendo… a selvageria é inerente àqueles que querem um país para poucos.

          Contudo, o que eu não compreendo é a falta de reação do Governo trabalhista e do PT, no sentido de serem mais assertivos no que se trata sobre o embate político e à rápida resposta aos ataques de um sistema midiático de direita, que se associou a homens e mulheres membros do Poder Judiciário, que resolveram fazer política, inclusive a partidária, pois se aliaram, e às claras, com o trinômio PSDB, DEM e PPS, partidos de essência conservadora, derrotados nas últimas três eleições para presidente da República e que recentemente perderam a prefeitura de São Paulo para o PT de Lula e Fernando Haddad, que vai assumir em 2013 a cadeira de prefeito.
                A política é como o boxe: quem não bate, apanha. O PT, partido forjado nas fábricas do ABCD e também na USP para o desgosto dos quatrocentões patrimonialistas, sempre foi uma agremiação política aguerrida e disposta a enfrentar qualquer tipo de embate e de luta política. Hoje um amigo meu e ex-colega de trabalho e que vota em candidatos e partidos conservadores me enviou a seguinte mensagem: “Se prepara mano velho que agora é só pedrada”. Ele tem razão quando o PT e o Governo recuam e aceitam que a eles sejam imputadas inverdades, leviandades cometidas por gente que se veste de Batman e que se estivesse em um balé quereriria tomar o lugar do bailarino protagonista. Gente que acusa integrantes do PT até de crimes que nunca cometeram.
A desfaçatez é tão surreal, que quando a Polícia Federal investiga e prende servidores públicos e políticos da base do Governo trabalhista ou do PT, suas ações são consideradas republicanas. Todavia, quando a PF efetiva ações em que estão envolvidos empresários, políticos da oposição, membros da PGR e do STF e jornalistas militantes da imprensa conservadora de negócios privados, o Governo e o PT são acusados de  “aparelhar o estado”, evidência que tem forte conotação política, porque a verdade é que a direita está a afirmar que o Partido dos Trabalhadores atua de forma stalinista, quando a realidade é que o PT no poder é profundamente democrático e tão republicano que hoje tem de enfrentar juízes e promotores nomeados por ele, que lhe fazem uma oposição desleal e que tem por finalidade desgastar e desconstruir suas representatividades proeminentes, com o intuito de ajudar o PSDB vencer as eleições presidenciais de 2014.
Esse é o modus operandi de um Judiciário e de uma imprensa que lutam desesperadamente para manter intactos o status quo dos inquilinos da Casa Grande. O STF judicializou a política. A PGR a criminalizou. E os barões donos da mídia monopolizada tratam de divulgar os supostos escândalos, de forma sistemática e que denotam todo o ódio e o desprezo que a classe rica e muita rica tem pelo Brasil, pelo seu povo e principalmente pelos políticos trabalhistas que conquistaram o poder por intermédio do voto e que hoje sofrem com um processo draconiano de propósito golpista, que dia a dia, mês a mês e ano a ano tenta desconstruir a imagem de um político respeitado e considerado pelo povo brasileiro, bem como admirado profundamente no exterior, pois tratado como mito político e humano decorrente de sua espetacular biografia.
A nossa “elite” controladora dos meios de produção é ridícula, provinciana e intelectualmente limitada e desonesta. Temos uma imprensa que caça o Lula e por isso o ex-mandatário se tornou um alvo de enorme repercussão. É a única imprensa que faz oposição a um ex-presidente, político que saiu do poder e por isso não tem mandato. E sabem por quê? Porque quando ela lembra de Getúlio sente calafrios. Enquanto em outros países a oposição combate quem está no poder, no Brasil acontece o contrário, porque nós temos a pior classe rica do planeta, herdeira de uma escravidão que teve a duração de 350 anos e que explorou de forma infame cerca de quatro milhões de africanos, em um tempo remoto, praticamente sem tecnologias. Os proprietários da Casa Grande jamais vão perdoar a Senzala, que ousou entrar nos Palácios do Planalto e da Alvorada, pisar em seus luxuosos tapetes e sentar na cadeira presidencial, por intermédio de Lula.
Tal acontecimento foi de mais para essa gente branca, de olhos azuis, ternos alinhados e perfumes caros, que se comporta como se fosse “superior”, porque que vive de forma abastada e farta por causa da dedicação, da determinação e do talento do seu empregado, o trabalhador brasileiro, a quem ela pouco emprega, porque, proporcionalmente, quem contrata no Brasil são os micro e médios empresários, que nos governos trabalhistas de Lula e de Dilma foram considerados e respeitados e por isso receberam crédito por meio dos bancos de fomento, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e até mesmo o BNDES, que, para quem se interessar, empresta três vezes mais do que o Banco Mundial — o Bird.
Além disso, Lula pagou a dívida externa, as reservas do Brasil são da ordem de R$ 400 bilhões e, no decorrer de dez anos, os governantes trabalhistas fizeram o Brasil crescer exponencialmente, os salários aumentaram de valor e o desemprego é quase um risco nas estatísticas, ou seja, vivemos o pleno emprego. Somente para ficar nisso, porque se não eu teria de me alongar. Esse conjunto de conquistas e de melhorias sociais e econômicas gerou um ódio incomensurável nas classes sociais preconceituosas, levianas e tolas, pois que não percebem ou se negam a perceber que um Brasil robusto economicamente e politicamente propicia desenvolvimento, distribuição de renda e de riqueza ao conjunto da sociedade e não apenas, por exemplo, aos acionistas das empresas de energia cujos interesses foram defendidos pelos governadores tucanos de São Paulo, Goiás, Paraná, Minas Gerais, bem como pelo aliado do PSD de Santa Catarina, que boicotaram o projeto do Governo trabalhista de baixar os preços das tarifas de energia, que tem o apoio dos empresários da Fiesp e da Firjan.
A direita tucana é tão leviana e descompromissada que sabotou a diminuição do preço da energia. Essa gente é tão midiática e judiciária (o STF é o alicerce das “elites”) que defende privilégios, quer um Brasil VIP e, portanto, para poucos, exatamente aqueles que se consideram escolhidos, quiçá, por Deus. Afinal, eles rezam com os padres Marcelo Rossi ou Zezinho, além de terem o apoio incondicional do Opus Dei. Se tiver dúvida, pergunte ao José Serra e ao Estadão. É muita falta de nonsense, um disparate. Lula é o alvo. Juízes, procuradores, barões da imprensa, jornalistas e políticos conservadores a serviço do establishment e por causa dessa realidade precisam derrotar os trabalhistas como fizeram com Getúlio Vargas e João Goulart, que edificaram as bases do Brasil moderno e civilizaram a nossa sociedade por intermédio das leis trabalhistas.
É um acinte, um despropósito e uma inconveniência a atuação política dessa gente que quer transformar o Brasil em um grande Paraguai, que amarga forte censura ao ficar de fora das decisões da Unasul e do Mercosul. É tal qual eu li outro dia: as classes hegemônicas desse País, na verdade, gostariam que o tempo voltasse e que o nosso Brasil ficasse “congelado” nesse tempo, a continuar a ser um gigantesco fazendão de plantação de café ou de cana de açúcar. O País do cafezinho e da garapa.
Seria ótimo para eles, os inquilinos da Casa Grande. Super cômodo. Afinal, os colonizados com um imenso complexo de vira-lata se quiserem tomar um banho de civilização bastariam ir à Corte, como o fez, de forma ridícula e sem noção, o senhor Paulo Francis. Hoje, por causa do Lula, a Danuza Leão tem de comprar passagens para ir a Nova York, Paris ou Londres juntamente com seu porteiro. Danuza não tem culpa de sua iniquidade, mas ela poderia deixar de fora o rei da selva, que tem de lutar duramente para sobreviver — o Leão.
     Contudo, não vai ser possível para os imperialistas de pensamentos colonizados viverem em um mundo à imagem deles refletido na abominável Casa Grande. Um lugar onde poucos se locupletam e se divertem, enquanto a enorme maioria fica a sofrer na Senzala, a fim de propiciar aos herdeiros dos escravos e às suas dondocas as delícias e as satisfações adquiridas com a pobreza e o trabalho da maioria. É disto que se trata. Por isto e por causa disto, a burguesia jamais vai esquecer o Lula, mesmo se ele estiver fora do poder. A esquerda tem de reagir, porque a política é como o boxe: quem não bate, apanha. É isso aí.
Por Davis Sena Filho
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