Governo de Raimundo Colombo é um dos piores da história de SC: Afirma Claúdio Vignatti pré-candidato a governador

Claudio Vignatti nasceu na cidade de Palmitos, no Oeste de Santa Catarina. Teve sua primeira participação no Movimento Estudantil na reconstrução da União Catarinense de Estudantes Secundaristas (UCES), no início dos anos 1980, época em que atuava também na Pastoral da Juventude, muito forte na região, com o incentivo do bispo Dom José Gomes. Em 1988, Vignatti mudou-se para Chapecó, passou em concurso público da prefeitura da cidade e logo articulou a fundação do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Chapecó e Região, tendo sido também o primeiro presidente da entidade, mandato que se estendeu até 1996, quando atuou na direção regional da CUT. No mesmo ano, Vignatti concorreu a vereador pela primeira vez, pelo PT de Chapecó, sendo eleito junto com o prefeito José Fritsch (PT). Neste mandato, o vereador Vignatti acumulou o cargo de presidente do PT Municipal de Chapecó e de líder do governo na Câmara de Vereadores.

MOMENTOS MARCANTES – Concorreu para deputado federal em 1998, se reelegeu vereador em 2000 e dois anos depois, em 2002, se elegeu também para deputado federal, reeleito em 2006. Na Câmara Federal, teve atuação marcante, coordenou as Conferências e o Plano Nacional da Juventude, propôs e presidiu as Frentes Parlamentares da Juventude, da Mídia Regional e da Micro e Pequena Empresa, foi presidente da Comissão de Finanças da Câmara e relator do PPA federal em 2007. Resultado da sua atuação forte em todo o estado de Santa Catarina, em 2010 foi candidato a senador, obtendo 1.290.000 votos, a maior votação majoritária de um petista catarinense. Depois das eleições, atuou por um pequeno período na Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, onde iniciava um trabalho de destaque, que logo foi interrompido. Mesmo com disposição de ajudar o governo da presidente Dilma Rousseff, Vignatti não recebeu mais nenhum convite e desde então reorganizou sua vida, buscando sobreviver na iniciativa privada como representante comercial, dividindo o tempo com a militância partidária, mesmo sem cargos ou mandato. Nas eleições de 2012, foi o coordenador da campanha de Pedro Uczai para prefeito de Chapecó e apoiou diversos candidatos petistas no estado.

Vignatti, como você avalia sua trajetória política e militante dentro do PT?

Vignatti – Eu me sinto feliz pela oportunidade que tive na vida, de poder me inserir num projeto extraordinário, que é o projeto do PT. Nossa geração teve muitas oportunidades, que outras não tiveram. As gerações anteriores foram reprimidas por sucessivas ditaduras e dificilmente um filho de agricultor de uma pequena cidade do interior, muito distante da Capital do Estado, teria a oportunidade de chegar a ser vereador de uma cidade importante como Chapecó e duas vezes deputado federal, chegando a presidir a Comissão de Finanças da Câmara Federal. Uma chance para poucos. Eu considero que isso foi resultado, em primeiro lugar, da base política do PT no Oeste catarinense, uma força que vem se ampliando a quase meio século, com o trabalho de Dom José, da Teologia da Libertação, que se transformou em luta sindical e partidária. Fui apenas um dos sujeitos que teve a oportunidade de representar essa força política. Acredito que cheguei a ser escolhido porque sou teimoso e ousado. Trabalhei muito e busquei as oportunidades, como fazem tantos jovens neste Brasil, como fez o companheiro Lula, que sempre foi uma grande inspiração para mim. Acho que a frase mais extraordinária e simples que eu já ouvi foi “sou brasileiro e não desisto nunca”.

Falando em desistir, quando você foi “saído” do governo federal, sem uma explicação racional – até hoje as pessoas perguntam por que o Vignatti não está no governo –, nem nesse momento pensou em desistir da política ou do PT?

Vignatti – Jamais pensei em desistir. Fiquei triste, passou um filme na minha cabeça, mas recebi muita força da minha família, minha esposa que em 2012 se elegeu vereadora em Chapecó, muitos companheiros que não me deixaram desanimar, me convidavam para atividades, para conversar em suas casas. Nem vou citar nomes para não ser injusto com alguém que possa esquecer, mas foram muitos mesmo. Então, passou esse filme da minha história, de tantas lutas e sofrimento. Mas concluí que isso tudo não foi em vão. Ainda sou novo e acho que esse foi apenas um começo. Acredito que tenho muita coisa para fazer pela frente. Depois de 15 anos com mandatos, tive que reaprender a viver como cidadão comum, ficar na plateia ouvindo discursos dos outros (com vontade de estar em cima do palco), mas com paciência, com mais tempo para ouvir as pessoas. Acho que a gente fica cada vez mais humanizado, mas também com vontade de voltar a ocupar um espaço, porque gosto de política, gosto de ajudar a resolver problemas e quero contribuir sempre com o projeto do PT. Aliás, recebi sim várias propostas para deixar o PT, etc, mas nunca titubeei. Sempre fui incisivo em dizer não. Meu lugar é aqui e quando o PT não me quiser mais, deixo a política, com dor no coração. Mas meu lugar é no PT.

Qual a sua avaliação sobre o Governo da presidenta Dilma?

Vignatti – A presidenta Dilma recebeu um legado muito importante do presidente Lula. Por um lado, pela primeira vez uma mulher presidenta da República e recebe um governo que vem de um círculo virtuoso, de crescimento econômico com distribuição de renda e redução da desigualdade. Mas, por outro lado, o desafio é ainda maior, ou seja, tem que fazer mais. Então, tem outros desafios, como, por exemplo, consertar a histórica falta de planejamento em infraestrutura e logística, áreas atravancadas pela falta de capacidade estatal na execução dos grandes projetos públicos, porque o Estado brasileiro foi desmontado no tempo dos tucanos para não ser mais o indutor do desenvolvimento. Por isso a presidenta terá esse grande desafio. Já as reformas estruturais (política, fiscal, agrária, urbana, etc) são tarefas tanto do governo quanto do partido e das forças sociais. Não podemos exigir isso apenas do governo, mas temos que fazer pressão social para criar as condições de a presidenta pautar esses temas. Acho que a presidenta Dilma começou bem, continuando o diálogo entre o capital e trabalho, como fez em 2011. Daí surgiu uma pauta desenvolvimentista e iniciativas importantes, como baixar os juros, diminuir o lucro dos bancos, desvalorizar um pouco o real. Mas isso não foi o suficiente para manter o ritmo de crescimento. Então, agora, pressionada pelo PIB de 2012, a presidenta parece ceder a algumas pressões do capital, que quer reduzir os direitos dos trabalhadores, que quer voltar às privatizações, que quer mais dinheiro público para bancos e planos de saúde. Temos que tomar cuidado com as pressões da direita, que está se aproveitando da crise mundial para jogar tudo na conta dos trabalhadores.

Qual sua avaliação sobre o PT?

Vignatti – O PT também é resultado dessa história de transformações sócio-econômicas por que passa o Brasil, e a grande tarefa do partido é transformar isso em mudança política, disputar os novos valores da cultura política, sem perder os princípios fundamentais de um partido socialista, democrático, dirigente e de massa. O PT é uma experiência extraordinária para o mundo, um modelo de partido, mas isso também nos traz muita responsabilidade. Não podemos depender apenas da sensibilidade do Lula. É importante construir mecanismos para sintetizar o conjunto de ideias e de estudos para desenhar um novo programa e um novo jeito de se organizar. Nesse sentido tenho muita expectativa com o companheiro Marcio Pochmann à frente da Fundação Perseu Abramo, um intelectual orgânico, muito qualificado, que vai nos ajudar muito. Neste ano temos PED e depois o V Congresso do PT, que vai debater o programa do partido diante da nova realidade brasileira. É nossa oportunidade para debater tudo. Garantir a efetividade da paridade de gênero, da participação da juventude e das diferentes etnias. O PT precisa ser mais dinâmico e mais ousado, tem que voltar a ser o principal espaço de debates (presencial e virtual) e o principal protagonista da mobilização da sociedade para os novos tempos no Brasil, que é o nosso hoje, é a nossa realidade, a realidade que o governo petista conseguiu construir. Eu acredito nisso e quero ajudar a construir esse PT de cara nova, sem perder os princípios.

Sobre as eleições internas do PT em Santa Catarina, qual sua opinião e, aproveitando, pode comentar também sobre o papel das tendências e da Militância Socialista em especial?

Vignatti – É muito salutar que tenha disputa no PT de Santa Catarina. No último PED, praticamente não houve disputa e isso trouxe acomodação para o PT. Muitos municípios nem fizeram votação, apenas correu uma lista. Isso está causando discórdia também na base. Eu sou um entusiasta da democracia e acho que o debate no PT é sempre necessário, ainda mais quando é um debate de alto nível. O prefeito Paulo Eccel está colocado para disputar a presidência comigo. Respeito-o muito. Acho que o Paulo tem muitas qualidades, é um concorrente leal e espero dele um debate de alto nível. Com isso o PT vai ganhar e vai se fortalecer para a disputa de 2014. Três eixos são importantes para renovar no PT: implementar as decisões do IV Congresso Nacional do PT, da paridade de gênero, cota de juventude e etnia, não apenas para cumprir o estatuto, mas para mudar a cultura política do PT. Essa é uma tarefa difícil, não se resume à burocracia, exige repensar toda a forma de fazer partido; em segundo lugar, é necessário fazer um investimento em formação e comunicação. Nisso, muito se fala e pouco se faz. O PT tem que encontrar alternativas e trabalhar com militância e profissionalismo para que a comunicação interna, externa e a formação de base (especialmente de mulheres e juventude), a formação dirigente e a formação e sistematização do modo petista de governar e de legislar funcionem de forma exemplar; e o terceiro eixo é o programa, tanto para o Brasil como para Santa Catarina. Um programa político que unifique todas as forças e mandatos para caminhar no mesmo rumo. Nisso o presidente do PT tem grande responsabilidade e eu tenho disposição para contribuir. Mas a tarefa é coletiva e, portanto, o presidente tem o papel de liderar. As tendências precisam ser desafiadas a elaborar posição política, se não, ficam apenas disputando espaços e interesses. Não que isso não seja legítimo, mas é muito pouco. Temos bons quadros partidários, mas estão sendo mal aproveitados, muitas vezes consumidos por disputas internas que não produzem nada, ou seja, mais uma vez falta uma liderança que os desafiem a produzir politicamente para o conjunto do partido. Eu vejo isso na Militância Socialista, a qual eu acompanho. Acredito que produzimos coisas boas, como são os cursos para dirigentes. Nesse ano trouxemos Marcio Pochmann, Bernardo Kucinski, Roberto Vizentim (ICMbio) e a companheira catarinense Severine de Macedo. No ano passado veio o companheiro Emir Sader fazer debate em Florianópolis, resultado da nossa articulação. Enfim, construímos com o debate de qualidade, mas podemos fazer muito mais. Não sou contra as tendências, mas acho que elas estão desvirtuadas de seu papel e poderiam contribuir mais para um projeto maior, que unifique o PT.

entrevista ao notícias Já

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