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Secretarias Regionais entram na pauta das manifestações em SC

junho 27, 2013

Uma nova campanha surgiu na internet nesta onda de manifestações pelas reformas, contra a corrupção e por mais eficiência no serviço público. Voltam a debate as secretarias regionais de desenvolvimento, criadas no primeiro governo de Luiz Henrique da Silveira (PMDB).

Sua implantação teve um crítico contundente: o então prefeito de Lages, Raimundo Colombo, que as definiu como “cabides de emprego”. A imagem se propagou. Muitos políticos que não encontram razões para a existência das secretarias regionais invocam o libelo do atual governador para apoiar a extinção.

Ubiratan Rezende, secretário da Fazenda no início da gestão Colombo, sonhava com uma estrutura mais enxuta e, no mínimo, com a redução das regionais. Não teve condições políticas de executar a ideia, pois Colombo devia a eleição justamente ao criador das secretarias. Passou a sustentar, então, a hipótese de extinção das regionais depois das eleições municipais de 2012. Era outro sonho. Os prefeitos eleitos pelo PMDB formariam uma trincheira contra a proposição para terem garantias de manutenção de afilhados em cargos comissionados. Foi o que ocorreu.

Rezende retornou para a Universidade de Naples, nos Estados Unidos, mas a possibilidade de redução das regionais continuou na ordem do dia. O secretário da Fazenda, Antônio Gavazzoni, suplente de Luiz Henrique no Senado, seria incumbido de uma conversa com o senador para avaliar as condições de executar o projeto.
No segundo semestre de 2012 o governo anunciou uma profunda reforma na estrutura e do secretariado. Virou pó.

Os protestos que se espalharam pelo Brasil representam uma boa oportunidade para revisão geral das estruturas governamentais – em Brasília, nos governos estaduais e nas prefeituras.

fonte: Upiara

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Reforma tributária urgente…

junho 26, 2013

Merece registro a importante decisão do PT de encamar projetos para taxar grandes fortunas. O partido decidiu que essa pode ser uma alternativa para financiar os projetos de mobilidade urbana sugeridas pela presidenta Dilma Rousseff.
A ideia não é apresentar uma nova proposta, mas sim encampar a votação de projetos que já estabelecem a taxação de grandes fortunas.
A iniciativa é importante, mas insisto que é necessário retomar a reforma tributária. O atual sistema está superado e precisa ser debatido com a sociedade. O PT não pode e não deve perder a oportunidade de incluir no debate público e popular deste momento a necessidade de reforma tributária para financiar e viabilizar o crescimento do país.
Não se trata apenas de aprovar um imposto sobre grandes fortunas. Mas de desonerar a produção, a classe média e trabalhadora e taxar a renda e a riqueza, a propriedade e as grandes fortunas, heranças e doações.
É preciso reequilibrar a federação, favorecendo o Nordeste e o Norte, e diminuir a taxação para os de baixa renda e aumentar para os de alta renda. Hoje, quem ganha menos paga mais. E quem ganha mais paga menos.

 

Volto a insistir na questão do financiamento das demandas populares num momento de crise mundial e baixo crescimento – portanto de arrecadação estabilizada ou em queda –, sem condições de aumento dos gastos públicos.

 

Isso exige uma reforma tributária ou uma vinculação de recursos já existentes, como os dos royalties do petróleo agora destinados para a educação e a saúde.

 

Grandes fortunas

 

Especificamente sobre a taxação de grandes fortunas, o líder do PT na Câmara, José Guimarães, diz que há vários projetos tramitando. “Tem uns 10 do PT. Vamos juntar tudo isso e a partir daí discutir.”

 

Ainda não há um texto final único sobre a proposta, mas Guimarães defende a taxação sobre o patrimônio e a aplicação de forma escalonada.

Fonte: zé dirceu

 

O significado e as perspectivas das mobilizações

junho 25, 2013

 

Por Nilton Viana
“É hora do governo aliar-se ao povo ou paragá a fatuta no futuro”. Essa é uma das avaliações de João Pedro Stedile, da coordenação nacional do MST sobre as mobilizações em todo o país.
Segundo ele, há uma crise urbana instalada nas cidades brasileiras, provocada por essa etapa do capitalismo financeiro. “As pessoas estão vivendo um inferno nas grandes cidades, perdendo três, quatro horas por dia no trânsito, quando poderiam estar com a família, estudando ou tendo atividades culturais”, afirma.
Para o dirigente do MST, as redução da tarifa interessava muito a todo o povo e esse foi o acerto do Movimento Passe Livre, que soube convocar mobilizações em nome dos interesses do povo.

Nesta exclusiva ao Brasil de Fato, Stedile fala sobre o caráter dessas mobilizações, e faz um chamamento: devemos ter consciência da natureza dessas manifestações e irmos todos para as ruas disputar corações e mentes para politizar essa juventude que não tem experiência  da luta de classes. “A juventude está de saco cheio dessa forma de fazer política burguesa, mercantil”, constata.
E faz um alerta: o mais grave foi que os partidos de esquerda institucional, todos eles, se moldaram a esse métodos. Envelheceram e se burocratizaram. As forças populares e os partidos de esquerda precisam colocar todas as suas energias para ir à rua, pois está ocorrendo, em cada cidade, em cada manifestação, uma disputa ideológica permanente da luta dos interesses de classes. “Precisamos explicar para o povo quem são seus proncipais inimigos”.

Como você analisa as recentes manifestações que vem sacudindo o Brasil nas últimas semanas? Qual é base econômica para elas terem acontecido?

Há muitas avaliações de porque estarem ocorrendo estas manifestações. Me somo à analise da professora Erminia Maricato, que é nossa maior especialista em temas urbanos e já atuou no Ministério das Cidades na gestão Olivio Dutra.
Ela defende a tese de que há uma crise urbana instalada nas cidades brasileiras provocadas por essa etapa do capitalismo financeiro. Houve uma enorme especulação imobiliária que elevou os preços dos alugueis e dos terrenos em 150% nos últimos três anos.
O capital financiou sem nenhum controle governamental a venda de automóveis, para enviar dinheiro pro exterior e transformou nosso trânsito um caos. E nos últimos dez anos não houve investimento em transporte público. O programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, empurrou os pobres para as periferias, sem condições de infraestrutura.
Tudo isso gerou uma crise estrutural em que as pessoas estão vivendo num inferno nas grandes cidades, perdendo três, quatro horas por dia no trânsito, quando poderiam estar com a família, estudando ou tendo atividades culturais.
Somado a isso, a péssima qualidade dos serviços públicos em especial na saúde e mesmo na educação, desde a escola fundamental, ensino médio, em que os estudantes saem sem saber fazer uma redação. E o ensino superior virou lojas de vendas de diplomas a prestações, onde estão 70% dos estudantes universitários.

E do ponto de vista político, por que aconteceu?

Os quinze anos de neoliberalismo e mais os últimos dez anos de um governo de composição de classes transformou a forma de fazer política refém apenas dos interesses do capital. Os partidos ficaram velhos em suas práticas e se transformaram em meras siglas que aglutinam, em sua maioria, oportunistas para ascender a cargos públicos ou disputar recursos públicos para seus interesses.
Toda juventude nascida depois das diretas já, não teve oportunidade de participar da política. Hoje, para disputar qualquer cargo de vereador, por exemplo, o sujeito precisa ter mais de 1 milhão de reais. Deputado custa ao redor de 10 milhões de reais. Os capitalistas pagam, e depois os políticos obedecem. A juventude está de saco cheio dessa forma de fazer política burguesa, mercantil.
Mas o mais grave foi que os partidos da esquerda institucional, todos eles, se moldaram a esses métodos. Envelheceram e se burocratizaram. E, portanto, gerou na juventude uma ojeriza a forma dos partidos atuarem. E eles tem razão. A juventude não é apolítica, ao contrário, tanto é que levou a política às ruas, mesmo sem ter consciência do seu significado.
Estão dizendo que não aguentam mais assistir na televisão essas práticas políticas, que seqüestraram o voto das pessoas, baseadas na mentira e na manipulação. E os partidos de esquerda precisam reapreender que seu papel é organizar a luta social e politizar a classe trabalhadora. Senão cairão na vala comum da história.

E porque as manifestações eclodiram somente agora?

Provavelmente tenha sido a soma de diversos fatores de caráter da psicologia de massas, mais do que alguma decisão política planejada. Somou-se todo o clima que comentei, mais as denúncias de superfaturamento das obras dos estádios, que é um acinte ao povo. Vejam  alguns episódios. A Rede Globo recebeu do governo do estado do Rio e da prefeitura, 20 milhões de reais de dinheiro público para organizar o showzinho de apenas duas horas, no sorteio dos jogos da Copa das Confederações.
O estádio de Brasília custou 1,4 bilhões de reais e não tem ônibus na cidade! A ditadura explícita e as maracutais que a FIFA/CBF impuseram e os governos se submeteram. A reinauguração do Maracanã foi um tapa no povo brasileiro. As fotos eram claras: no maior templo do futebol mundial não havia nenhum negro ou mestiço!
E aí o aumento das tarifas de ônibus foi apenas a faísca para ascender o sentimento generalizado de revolta, de indignação. A gasolina para a faísca veio do governo Gerlado Alckmin, que protegido pela mídia que ele financia e acostumado a bater no povo impunemente, como fez no Pinheirinho, jogou sua polícia para a barbárie. Aí todo mundo reagiu.

Ainda bem que a juventude acordou. E nisso houve o mérito do Movimento Passe Livre, que soube capitalizar essa insatisfação popular e organizou os protestos na hora certa.

Por que a classe trabalhadora ainda não foi à rua?

É verdade, a classe trabalhadora ainda não foi para a rua. Quem está na rua são os filhos da classe média, da classe média baixa, e também alguns jovens do que o André Singer chamaria de sub-proletariado, que estudam e trabalham no setor de serviços, que melhoraram as condições de consumo, mas querem ser ouvidos. Esses últimos apareceram mais em outras capitais e nas periferias.
A redução da tarifa  interessava muito a todo povo e esse foi o acerto do MPL. Soube convocar mobilizações em nome dos interesses do povo. E o povo apoiou as manifestações e isso está expresso nos índices de popularidade dos jovens, sobretudo quando foram reprimidos.
A classe trabalhadora demora a se mover, mas quando se move, afeta diretamente ao capital. Coisa que ainda não começou a acontecer. Acho que as organizações que fazem a mediação com a classe trabalhadora ainda não compreenderam o momento e estão um pouco tímidas. Mas acho que enquanto classe, ela também está disposta a lutar. Veja que o número de greves por melhorias salariais já recuperou os padrões da década de 80.
Acho que é apenas uma questão de tempo, e se as mediações acertarem nas bandeiras que possam motivar a classe a se mexer. Nos últimos dias, já se percebe que em algumas cidades menores, e nas periferias das grandes cidades, já começam a ter manifestações com bandeiras de reivindicações bem localizadas. E isso é muito importante.

E vocês do MST e camponeses também não se mexeram ainda.

É verdade. Nas capitais onde temos assentamentos e agricultores familiares mais próximos já estamos participando. E inclusive sou testemunho de que fomos muito bem recebidos com nossa bandeira vermelha, com nossa reivindicação de Reforma Agrária e alimentos saudáveis e baratos para todo povo.
Acho que nas próximas semanas poderá haver uma adesão maior, inclusive realizando manifestações dos camponeses nas rodovias e municípios do interior. Na nossa militância  está todo mundo doido para entrar na briga e se mobilizar. Espero que também se mexam logo.

Na sua opinião, qual é a origem da violência que tem acontecido em algumas manifestações?
Primeiro vamos relativizar. A burguesia através de suas televisões tem usado a tática de assustar o povo colocando apenas a propaganda dos baderneiros e quebra-quebra.  São minoritários e insignificantes diante das milhares de pessoas que se mobilizaram.

Para a direita interessa colocar no imaginário da população que isso é apenas bagunça, e no final se tiver caos, colocar a culpa no governo e exigir a presença das forças armadas. Espero que o governo não cometa essa besteira de chamar a guarda nacional e as forças armadas para reprimir as manifestações. É tudo o que a direita sonha!
Quem está provocando as cenas de violência é a forma de intervenção da Policia Militar. A PM foi preparada desde a ditadura militar para tratar o povo sempre como inimigo. E nos estados governados pelos tucanos(SP, RJ e MG), ainda tem a promessa de impunidade. 

Há grupos direitistas organizados com orientação de fazer provocações e saques. Em São Paulo atuaram grupos fascistas e leões de chácaras contratados. No Rio de Janeiro atuaram as milícias organizadas que protegem seus políticos conservadores. E claro, há também um substrato de lumpesinato que aparece em qualquer mobilização popular, seja nos estádios, carnaval, até em festa de igreja tentando tirar seus proveitos.

Há então uma luta de classes nas ruas ou é apenas a juventude manifestando sua indignação?

É claro que há uma luta de classes na rua. Embora ainda concentrada na disputa ideológica. E o que é mais grave, a própria juventude mobilizada, por sua origem de classe, não tem consciência de que está participando de uma luta ideológica.
Vejam, eles estão fazendo política da melhor forma possível, nas ruas. E ai escrevem nos cartazes: somos contra os partidos e a política? Por isso tem sido tão difusa as mensagens nos cartazes. Está ocorrendo em cada cidade, em cada manifestação, uma disputa ideológica permanente da luta dos interesses de classes. Os jovens estão sendo disputados pelas idéias da direita e pela esquerda. Pelos capitalistas e pela classe trabalhadora.
Por outro lado, são evidentes os sinais da direita muito bem articulada, e de seus serviços de inteligência, que usam a internet, se escondem atrás das mascaras e procuram criar ondas de boatos e opiniões pela internet. De repente uma mensagem estranha alcança milhares de mensagens. E ai se passa a difundir o resultado como se ela fosse a expressão da maioria.
Esses mecanismos de manipulação foram usados pela CIA e o departamento de estado Estadunidense na primavera árabe, na tentativa de desestabilização da Venezuela, na guerra da Síria. E é claro que eles estão operando aqui também para alcançar os seus objetivos.

E quais são os objetivos da direita e suas propostas?

A classe dominante, os capitalistas, os interesses do império Estadunidense e seus porta-vozes ideológicos que aparecem na televisão todos os dias, tem um grande objetivo: desgastar ao máximo o governo Dilma, enfraquecer as formas organizativas da classe trabalhadora, derrotar qualquer propostas de mudanças estruturais na sociedade brasileira e ganhar as eleições de 2014, para recompor uma hegemonia total no comando do estado brasileiro, que agora está em disputa.

Para alcançar esses objetivos eles estão ainda tateando, alternando suas táticas. As vezes provocam a violência, para desfocar os objetivos dos jovens. As vezes colocam nos cartazes dos jovens a sua mensagem. Por exemplo, a manifestação do sábado em São Paulo, embora pequena, foi totalmente manipulada por setores direitistas que pautaram apenas a luta contra a PEC 37, com cartazes estranhamente iguais e palavras de ordem iguais.
Certamente a maioria dos jovens nem sabem do que se trata. E é um tema secundário para o povo, mas a direita está tentando levantar as bandeiras da moralidade, como fez  a UDN (União Democrática Nacional) em tempos passados. Isso que já estão fazendo no Congresso, logo logo, vão levar às ruas.

Tenho visto nas redes sociais controladas pela direita que suas bandeiras, além da PEC 37, são a saída do Renan do Senado, CPI e transparência dos gastos da Copa, declarar a corrupção crime hediondo, e fim do Foro especial para os políticos. Já os grupos mais fascistas ensaiam Fora Dilma e abaixo-assinados pelo impechment.

Felizmente essas bandeiras não tem nada ver com as condições de vida das massas, ainda que elas possam ser manipuladas pela mídia. E objetivamente podem ser um tiro no pé. Afinal, é a burguesia brasileira, seus empresários e políticos que são os maiores corruptos e corruptores. Quem se apropriou dos gastos exagerados da Copa? A Rede Globo e as empreiteiras!

Quais os desafios que estão colocados para a classe trabalhadora e as organizações populares e partidos de esquerda?

Os desafios são muitos. Primeiro devemos ter consciência da natureza dessas manifestações, e irmos todos para a rua, disputar corações e mentes para politizar essa juventude que não tem experiência da luta de classes. Segundo, a classe trabalhadora precisa se mover. Ir para a rua, manifestar-se nas fábricas, campos e construções, como diria Geraldo Vandré. Levantar suas demandas para resolver os problemas concretos da classe, do ponto de vista econômico e político.
Terceiro, precisamos explicar para o povo quem são seus principais inimigos. E agora são os bancos, as empresas transnacionais que tomaram conta de nossa economia, os latifundiários do agronegócio, e os especuladores.

Precisamos tomar a iniciativa de pautar o debate na sociedade e exigir a aprovação do projeto de redução da jornada de trabalho para 40 horas; exigir que a prioridade de investimentos públicos seja em saúde, educação, Reforma Agrária.
Mas para isso o governo precisa cortar juros e deslocar os recursos do superávit primário, aqueles 200 bilhões de reais que todo ano vão para apenas 20 mil ricos, rentistas, credores de uma dívida interna que nunca fizemos, deslocar para investimentos produtivos e sociais. E é isso que a luta de classes coloca para o governo Dilma: os recursos públicos irão para a burguesia rentista ou para resolver os problemas do povo?

Aprovar em regime de urgência para que vigore nas próximas eleições uma reforma política de fôlego, que no mínimo institua o financiamento público exclusivo da campanha. Direito a revogação de mandatos e plebiscitos populares auto-convocados.
Precisamos de uma reforma tributária que volte a cobrar ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) das exportações primárias, penalize a riqueza dos ricos e amenize os impostos dos pobres, que são os que mais pagam.

Precisamos que o governo suspenda os leilões do petróleo e todas as concessões privatizantes de minérios e outras áreas públicas. De nada adianta aplicar todo royalties do petróleo em educação, se os royalties representarão apenas 8% da renda petroleira, e os outros 92% irão para as empresas transnacionais que vão ficar com o petróleo nos leilões!

Uma reforma urbana estrutural, que volte a priorizar o transporte público, de qualidade e com tarifa zero. Já está provado que não é caro e nem difícil instituir transporte gratuito para as massas das capitais. Controlar a especulação imobiliária.
E finalmente, precisamos aproveitar e aprovar o projeto da Conferência Nacional de Comunicação, amplamente representativa, de democratização dos meios de comunicação. Para acabar com o monopólio da Globo e para que o povo e suas organizações populares tenham ampla acesso a se comunicar, criar seus próprios meios de comunicação, com  recursos públicos. Ouvi de diversos movimentos da juventude que estão articulando as marchas, que talvez essa seja a única bandeira que unifica a todos: Abaixo ao monopólio da Globo!  
Mas para que essas bandeiras tenham ressonância na sociedade e pressionem o governo e os políticos, somente acontecerá se a classe trabalhadora se mover.

O que o governo deveria  fazer agora?

Espero que o governo tenha a sensibilidade e a inteligência de aproveitar esse apoio, esse clamor que vem das ruas, que é apenas uma síntese de uma consciência difusa na sociedade, que é hora de mudar. E mudar a favor do povo.
E para isso o governo precisa enfrentar a classe dominante, em todos os aspectos. Enfrentar a burguesia rentista, deslocando os pagamentos de juros para investimentos em áreas que resolvam os problemas do povo. Promover logo as reformas políticas, tributárias. Encaminhar a aprovação do projeto de democratização dos meios de comunicação. Criar mecanismos para investimento pesados em transporte público, que encaminhem para a tarifa zero. Acelerar a Reforma Agrária e um plano de produção de alimentos sadios para o mercado interno.

Garantir logo a aplicação de 10% do PIB em recursos públicos para a educação em todos os níveis, desde as cirandas infantis nas grandes cidades, ensino fundamental de qualidade, até a universalização do acesso dos jovens à universidade pública.

Sem isso, haverá uma decepção, e o governo entregará para a direita a iniciativa das bandeiras, que levarão a novas manifestações visando desgastar o governo até as eleições de 2014. É hora do governo aliar-se ao povo, ou pagará a fatura no futuro.  

E que perspectivas essas mobilizações podem levar para o país nos próximos meses?

Tudo ainda é uma incógnita. Porque os jovens e as massas estão em disputa. Por isso que as forças populares e os partidos de esquerda precisam colocar todas suas energias para ir à rua. Manifestar-se, colocar as bandeiras de luta de reformas que interessam ao povo, porque a direita vai fazer a mesma coisa e colocar as suas bandeiras conservadoras, atrasadas, de criminalização e estigmatização das idéias de mudanças sociais.
Estamos em plena batalha ideológica que ninguém sabe ainda qual será o resultado. Em cada cidade, cada manifestação, precisamos disputar corações e mentes. E quem não entrar, ficará de fora da história.

Aécio Neves: Ele não sabe o que fala

junho 25, 2013

Em resposta à proposta da presidenta Dilma Rousseff de convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte exclusiva para fazer a reforma política, o pré-candidato tucano ao Palácio do Planalto em 2014, senador Aécio Neves (PSDB-MG), sugere em nota conjunta com o DEM e o PPS e em entrevista uma agenda aparentemente ética que ele e os tucanos não aplicam em seus governos.

Friso, nem nos dois dele, em Minas Gerais (2003-2010) e nem nos dos tucanos em geral – começando pelos de São Paulo, de Geraldo Alckmin, José Serra, Alckmin de novo… Aécio propõe reduzir o número de ministérios pela metade. Comece então por Minas, o que não fez quando governador e nem faz o sucessor que ele elegeu, Antônio Anastasia. Ele sugere e quer, também, a divulgação dos gastos da Presidência da República em viagens internacionais. O que já é feito.

Espero que ele publique como faz suas viagens e como as fazia quando era governador. Que publique todos os seus gastos nos 8 anos que governou Minas e os de todas as suas viagens. Inclusive os gastos de seus governos feitos com cartões corporativos…

Quando uma CPI proposta pela oposição funcionar em Minas e São Paulo…

Sobre sua proposta de CPI da COPA, o que se pode adiantar é que quando ele deixar alguma CPI proposta pela oposição funcionar em Minas (ou o governo tucano paulista) ou em São Paulo, aí sentamos para discutir.

Já sua proposta sobre uma fiscalização, uma espécie de devassa no BNDES e na Petrobras, ela apenas revela até onde vai a irresponsabilidade tucana, já que ambas são instituições auditadas e fiscalizadas não apenas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) mas, também, por conselhos fiscais e agências de risco. Agora, quando ele fizer isso com as Centrais Elétricas de Minas Gerais (CEMIG) e outras estatais mineiras, aí ele pode pedir para o governo federal fazer com suas empresas e bancos públicos.

Em tempo: a UDN em que muitos se inspiram para fazer política era o partido (extinto em 1965) das “marchadeiras”, do golpe de 64, que vivia rondando quartéis e mais contribuiu para a instalação da ditadura militar (1964-1985); Carlos Lacerda, ex-deputado e ex-governador da Guanabara, foi o maior opositor ao governo Getúlio Vargas (1950-1954), aos governos democráticos que a este se sucederam e um dos que mais contribuíram para a derrubada da legalidade; e Jânio Quadros se elegia em campanhas que tinham como símbolo uma vassoura com a qual ele dizia que varreria a corrupção. Dizia.

fonte: zé dirceu

Quem está saindo às ruas?

junho 23, 2013

 1. Vivemos um momento fundacional da democracia brasileira no século XXI. Trata-se da maior mobilização de massas deste século em nosso país;

2. Em seu início (e parece se sustentar até o atual momento), a quase totalidade dos manifestantes (que chegaram à marca de 1,2 milhão no dia 20 de junho) é composta por jovens (até 25 anos de idade), de classe média, sem qualquer experiência política anterior. 84% não têm preferência partidária e 71% nunca haviam participado de nenhuma manifestação de rua;A peculiaridade organizativa

3. Os jovens foram convocados, em especial, pelas redes sociais. Esta peculiaridade define uma nova realidade política, nunca antes vista nesta magnitude no Brasil, que remete às manifestações da Primavera Árabe. A peculiaridade mais acentuada é que não há liderança organizativa clássica (como partidos, entidades de representação profissional, ONGs ou sindicatos). A relação se dá pela afetividade entre os que convidam e os que aceitam. Daí a fragmentação inicial de demandas e tribos jovens. Em outras palavras, as estruturas de representação clássicas do século XX foram deixadas de lado de maneira radical e, em muitos casos, revelou desconfiança e rejeição dos jovens manifestantes;

4. O estopim inicial foi a mobilização pelo Passe Livre, liderada pelo Movimento pelo Passe Livre (MPL), cuja maioria dos militantes possui vínculos com partidos de esquerda. A violência desmedida da PM paulista na manifestação realizada em São Paulo no dia 13 de junho gerou grande indignação de pais e jovens, que já se percebia no final de semana em várias redes sociais. A grande imprensa emprestou apoio aos manifestantes, desde então, em virtude ao ataque que alguns jornalistas sofreram pelo uso de balas de borracha pela PM paulista;

5. Todos governantes, de toda plêiade de partidos nacionais, vacilou em assumir uma resposta à demanda inicial. O mais contundente foi o prefeito petista Fernando Haddad que rechaçou qualquer redução do preço da passagem de ônibus público (a demanda inicial era de reduzir em vinte centavos, mas o objetivo era atingir o passe livre, sem custo ao usuário). A dificuldade para se comunicar com as ruas alimentou a indignação de jovens que saíram às ruas em massa a partir do dia 17. No dia 18, já apareceram os primeiros sinais de descontrole e atos de vandalismo, inicialmente no Rio de Janeiro, já indicavam que a liderança inicial (MPL) já não aparecia como tal;

6. A partir do dia 18, mais de 20 governos municipais haviam recuado e diminuído o preço das passagens do transporte público, o que obrigou o prefeito Fernando Haddad a rever sua posição. O desgaste pessoal é incalculável. Outros prefeitos demonstraram inabilidade, como o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB, cogitado para se transferir para o PSDB), que após longo silêncio, anunciou redução de 0,05 centavos, aumentando a ira dos jovens da capital mineira;

7. A partir do dia 20, já era visível a disputa no interior das mobilizações pelo controle das manifestações e construção de uma pauta unificada. A primeira proposta de pauta foi apresentada pelo Anonymous Brasil, composta por cinco eixos claramente centrados no tema da corrupção e adotando como alvo o governo federal e o Congresso Nacional. Em seguida, várias organizações, em especial, os comitês de atingidos pela Copa, apresentaram pautas mais extensas e voltadas para as três esferas do Poder Executivo;

8. Ainda no dia 20, os maiores partidos do país tentaram oportunisticamente disputar as mobilizações. Rui Falcão, presidente nacional do PT, convocou uma “onda vermelha”, que se revelou desastrosa para militantes do partido que foram expulsos da manifestação (os jovens, até então, solicitavam que as cores utilizadas seriam branco, verde e amarelo). O PPS, por seu turno, divulgou propaganda partidária gratuita na TV, incentivando as manifestações e adotando um discurso virulento contra o governo federal, justamente no momento em que 1,2 milhão de pessoas saíam às ruas, envolvendo mais de 100 municípios, em especial, concentrados na região centro-sul do país e litoral do nordeste (regiões com maiores índices de instrução formal do Brasil). Atos de grande violência por parte de alguns agrupamentos de jovens (setores vinculados ao tráfico, no caso do RJ) e PM, estampavam as telas, revelando uma decisão infeliz do PPS, que incendiava ainda mais os ânimos;

9. No dia seguinte, já se percebia uma guinada das pautas e ações no interior das mobilizações. Os temas da corrupção e crítica à PEC 37 dominavam grande parte das manifestações de rua. O MPL decide, então, se retirar das mobilizações, acusando a mudança de rumos e a adoção de uma pauta ultraconservadora no interior das passeatas;

10. A partir daí, a disputa entre facções ideológicas, partidos e sindicatos e manifestantes passou a se generalizar. O tema das eleições de 2014 foi emergindo paulatinamente, seja na grande imprensa, seja nos discursos de lideranças partidárias, seja nas conversas de bares entre cidadãos, obrigando a Presidente Dilma Rousseff a fazer um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV na noite do dia 21, sexta-feira, véspera do que prometia ser a maior mobilização desde o início da semana;

11. As passeatas do dia 22, contudo, não revelaram crescimento em número de pessoas, com exceção de Belo Horizonte, capital onde ocorreram os únicos choques violentos no dia, além de Salvador. As manifestações parecem ter se espraiado pelo interior do país, mas em diversas capitais começaram a aparecer relatos de esgotamento.O vácuo de liderança

12. O que parece cada vez mais evidente é que vivemos um período de corte dos canais de comunicação das ruas com organizações que fundem agendas a serem negociadas com autoridades públicas;

13. Sintomaticamente, desde a redemocratização do país tivemos ondas de mobilizações populares de grande expressão a cada dez anos: em 1982, a Campanha pelas Diretas Já; em 1992, a pressão popular pelo impeachment de Fernando Collor. Nas manifestações de 1982, os partidos e lideranças partidárias – de oposição ao regime militar – apareciam como personagens centrais em todos os atos. Já em 1992, os protagonistas foram as organizações estudantis, em especial, UNE e Ubes. Ocorre que em 2002, Lula chega ao poder. E, a partir daí, e durante dez anos seguidos, as organizações populares, fóruns, redes, ONGs, estruturas sindicais e pastorais sociais foram capturadas, não necessariamente cooptadas, pelo Estado. Em alguns casos, suas lideranças assumiram cargos públicos. Em outros, ingressaram em arenas e fóruns criados pelo governo federal para negociarem pautas ou agendas de políticas públicas. Em um terceiro caso, entidades assumiram a terceirização, via convênios, de serviços públicos da área social ou até mesmo auditorias ou pesquisas de ações governamentais. No caso das centrais sindicais, impôs-se o que na literatura especializada se denomina de “neocorporativismo”, ou o envolvimento das organizações sindicais em negociações de políticas e estruturas estatais. A emergência do poder econômico dos fundos de pensão constituiu o início desta escalada que envolveu composição do Ministério do Trabalho, aumento dos repasses federais às centrais sindicais, participação de dirigentes nos conselhos de gestão de estatais, definição na composição de agências reguladoras;

14. As atuais manifestações de rua revelam que o locus da maioria dos partidos de esquerda e organizações populares (de assessoria ou representação) deixou de ser as ruas e passou a ser os gabinetes;

15. A nova geração de gestores públicos, mesmo os de esquerda, não é mais originária de movimentos sociais ou estruturas de representação de classe. É formada por gestores da máquina estatal ou técnicos, revelando um discurso e estilo político altamente burocratizado. Tal perfil envolve toda nova geração de expoentes políticos que nivela a grande maioria dos partidos políticos: de Fernando Haddad à Aécio Neves, de Antônio Anastasia à Dilma Rousseff ou ACM Neto, chegando à Eduardo Paes e tantos outros;

16. Os governos Lula, ao abdicarem da disputa ideológica ou seu papel pedagógico, aprofundou este abismo entre gestores, dirigentes políticos e as ruas. A lacuna só fez aumentar nos últimos anos;

17. Na outra ponta, os beneficiários das políticas de transferência de renda, crédito popular e aumento real do salário mínimo se revelaram desmobilizados ou conservadores. Pesquisas recentes revelam que parte dos segmentos de classe que aumentou significativamente sua renda familiar nos últimos dez anos refuta qualquer ação de embate com a Ordem, assim como sindicatos e partidos. A onda conservadora já havia se revelado no final do primeiro turno das eleições de 2010 e reapareceram nas eleições municipais do ano passado, em especial, novamente no primeiro turno. O poder de mobilização dos principais partidos do país conseguiu desmontar as lideranças conservadoras que surgiam no cenário nacional (caso de Russomanno em São Paulo), mas a possibilidade da “terceira via” já se revelava consistente;

18. Enfim, há um profundo erro de condução dos partidos e organizações populares. Mesmo os partidos mais à esquerda (como PSOL e PSTU), que iniciaram os protestos de rua dos últimos dias, perceberam seu não enraizamento no cotidiano da maioria dos brasileiros ao serem objeto de ofensas e até expulsão em várias manifestações ao longo do país. O grito de “sem partido” que se espalhou em várias capitais sugere a soma de orfandade com despolitização dos jovens indignados, não necessariamente um pendência para uma orientação fascista ou anarquista;

19. Há, ainda, um elemento a ser refletido. Além da ausência das ruas, não seria o caso de entendermos que a estrutura das organizações modernas (partidos e sindicatos, em especial) estaria revelando anacronismo? As estruturas não seriam excessivamente verticais e burocratizadas a ponto de se afastarem efetivamente da vida cotidiana dos seus representados? Não seria o caso de refletirmos sobre a adequação das estruturas em rede (“structural holes”)? Tais estruturas inovadoras são mais flexíveis e ágeis e se legitimam pela porosidade, onde qualquer um ingressa e permanece pelo tempo que lhe convém ou que ainda se sente motivado, obrigando os pontos de referência (páginas do face, operador de um blog ou rede de amizades virtuais) a uma ginástica quase diária para renovar sua liderança e confiança entre seus pares. Postar diariamente, com novidades e polêmicas, passou a ser um imperativo. Não seduzir e não querer liderar como princípio passou a ser uma ética nestas redes virtuais.

  Vivemos, portanto, um dos momentos mais significativos de nossa história política contemporânea. Após a luta pelo fim da ditadura desaguar na eleição de Lula, estaremos virando a página deste primeiro capítulo de nossa recente história democrática.

Demonizar nossos jovens despolitizados será um erro grosseiro e, possivelmente, fatal para as lideranças tradicionais que se aventurarem por esta trilha. O correto é ouvir e ser humilde. As ruas não revelam o que a ampla maioria dos brasileiros (pobres e operários) está pensando. Mas é evidente que as mobilizações se tornaram o tema de conversas diárias de todos brasileiros. As opiniões estão se formando. E não será rechaçando o novo que as organizações populares conseguiram reafirmar sua legimidade.

A disputa não está mais nos gabinetes e reuniões fechadas. A disputa está nas ruas. Teremos que retomar nossa identidade, aquela esquecida nos anos 1980.

A festa política das ruas é sempre bonita. No caso brasileiro, ainda mais, porque sempre carrega traços de carnavalização da política. Uma festa multicolorida que dá licença aos exageros.

Não compreender isto é se desconectar do Brasil.

PMDB e PT fecham acordo dos palanques duplos nos estados

junho 13, 2013

A cúpula do PMDB já tem acertado acordo para garantir que em alguns Estados em que o partido será adversário do PT nas eleições de 2014 o palanque para Dilma Rousseff (PT) esteja assegurado.

Nos Estados do Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Santa Catarina, a ideia é que o palanque nacional seja mantido, ou seja, Dilma terá palanque duplo.

Até mesmo no Paraná, Estado problemático em que o PMDB prepara reestruturação de dezenas de diretórios, ainda que o senador Roberto Requião saia candidato, a proposta é trabalhar pelo palanque duplo.

 

fonte: vera magalhões