Ex-funcionário da Celesc emite nota a imprensa!

É com tristeza mas sem nenhuma surpresa que tomo conhecimento da situação da Celesc.
Trabalhei 26 anos na empresa e posso dizer que minha vida profissional foi bastante produtiva, me envolvendo apenas na parte técnica como engenheiro eletricista.
Mesmo assim não pude deixar de perceber a eterna e absurda dependência da empresa para com a política partidária.
O partido político que tomava o governo do estado invadia a empresa ocupando todas as posições de algum destaque e de algum poder, colocando nesses lugares pessoas comprometidas com o partido, independentemente de sua capacidade técnica, competência ou experiência, oferecendo-lhes todas as benesses.
Pessoas competentes, mas que não tinham comprometimento político, manifestavam antipatia pelo partido ou alguma simpatia por partidos adversários eram sumariamente afastadas de seus postos e colocadas em áreas que costumávamos chamar de “limbo”.
Bem depois dessa prioridade política ficavam a eficiência e o profissionalismo. Decisões técnicas eram tomadas com base em pedidos de apadrinhados. Investimentos eram abandonados por terem sido iniciados pelos adversários. O governo do estado, em dificuldades financeiras para pagar o funcionalismo, solenemente se servia do caixa da Celesc com a promessa de ressarcimento futuro. Os técnicos, em seu esforço, propunham atitudes e providências que eram comparadas com as prioridades do partido para serem aprovadas ou desprezadas e esquecidas.

Quando saí da Celesc em 2005 eu já achava que a empresa já tinha resistido demais ao que o setor elétrico exigia de suas concessionárias. O setor elétrico regulado pela reforma estrutural e o incisivo poder delegado à ANEEL exigiam mais eficiência das empresas, para manterem suas concessões. Era impossível manter uma Celesc amadora. O mercado disputava as concessões, que eram avaliadas técnica e minuciosamente. A concessão de gerar, transmitir e distribuir energia elétrica no estado não era mais uma garantia eterna.
Talvez a privatização da empresa tenha algumas desvantagens, mas as vantagens para sua saúde são tão grandes que tornam as desvantagens desprezíveis.
Apenas quem é dono de uma empresa se importa com a saúde dela. A Celesc estatal não é de ninguém e serve quase que exclusivamente para servir aos propósitos político partidários.
Se a Celesc distribuiu energia elétrica de qualidade e em quantidade suficiente para o estado de Santa Catarina crescesse o quanto cresceu até hoje, isso se deve ao corpo técnico abnegado que sempre lutou para mantê-la com uma eficiência mínima.
A Celesc subsistiu até hoje, não devido às suas administrações, mas “APESAR DELAS”.

Em épocas de crise como essa é que as melhores oportunidades aparecem. Quem sabe essa seja a grande oportunidade para a Celesc se tornar uma empresa independente dessa política partidária danosa e dirigir seu foco para a razão da sua existência: fornecer energia elétrica em quantidade e com qualidade para que o desenvolvimento e o bem estar dos catarinenses.”

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