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O papel da imprensa nas derrotas do PT

novembro 29, 2014

Penso que a razão maior da derrota está na conjuntura regional e nacional, no clima de incertezas e ansiedades criado pela criminalização da política e na demonização do PT como responsável por governos, atacado diuturnamente pelos grandes meios de comunicação. O estudo da Uerj s obre capas e manchetes negativas, ao longo de meses, comprovou isso de forma insofismável. Se pesquisa semelhante a essa feita com O Globo, O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo for estendida ao grupo RBS, o resultado será muito pior, na criminalização do PT e, por consequência, no desgaste do governo através dos jornais, das rádios e TVs. Centenas de matérias, ao longo do mandato, com manchetes do tipo “Estradas esburacadas”, “Caos na saúde”, “Crise na educação”, “Governo não paga o piso”, “Transporte não funciona”, “Mensalão e corrupção do PT” repercutiam contra o governo.

As manifestações massivas de junho de 2013, inicialmente vistas pela mídia como expressões de “baderneiros”, “vândalos”, rapidamente foram saudadas como legítimas representantes da cidadania e de ações reivindicativas.

Esse clima que se arrasta há quase uma década com a Ação Penal 470 foi exacerbado com as denúncias da Petrobras. Exploradas por Aécio, foram avalizadas por Marina e por Eduardo Campos, dando respaldo às denúncias e acusações contra Lula, Dilma e principalmente, o PT. Esse clima exasperou a tese da “mudança”, sem considerar que esta pode ser para um recuo ao passado ou para pior. A racionalidade, o debate livre de preconceitos, a história e os compromissos dos concorrentes eram secundários. O que importava era a “mudança”.

O uso na eleição da TV e do rádio para mostrar o governo, suas obras e serviços, publicizar o que fora sonegado ou manipulado pela mídia ao longo do mandato, não teve importância para a população.

O enfrentamento à candidatura Ana Amélia (PP-PSDB) era incontornável. Favorita desde o início da campanha até as vésperas do primeiro turno, a candidata precisava ser desnudada de sua aparência de apresentadora de TV por seus compromissos partidários e de classe que, efetivamente, sempre representou. Não resistiu ao mínimo confronto programático e de história de vida, mas sua derrocada foi traduzida como resultado dos “ataques impiedosos e arrogantes” de Tarso e do PT.

Transformou-se em vítima e fortaleceu o senso comum na montanha-russa das pesquisas eleitorais. Em uma semana, a candidatura Sartori, que já desativava equipes de TV e rádio, saltou do terceiro lugar para chegar à frente no primeiro turno. No segundo turno, Sartori (PMDB) fez 61% dos votos e Tarso (PT) 39%.

Esse fenômeno é de difícil explicação na lógica natural da relação de forças, da qualidade das campanhas, do brilho e competência pessoal dos candidatos. Não há uma racionalidade que decifre esse sentimento que mistura senso comum, ansiedade por mudança e ódio e intolerância no debate político. Este foi substituído pela não política. O atributo e a virtude passam a ser não ter opinião, não assumir compromissos, não apresentar alternativas aos principais desafios que o estado exige. Um candidato sem partido (“meu partido é o Rio Grande”), sem programa ou opinião (“um gringo que faz”) e com um elogio ao simplório, ao senso comum (“Sartorão da massa”).

Mesmo com candidaturas acima de suspeitas, de qualquer indício desabonador em sua trajetória, Tarso Genro e Olívio Dutra, como candidato ao Senado, foram derrotados, primeiro, por esse sentimento difuso, preconceituoso, do antipetismo, da mudança sem rumo, do elogio ao senso comum e, principalmente, da identificação do PT e do governo nas denúncias da Petrobras.

Outros fatores também influíram na derrota da Unidade Popular no Rio Grande do Sul. São de natureza distinta e, em conjunto ou individualmente, não mudariam, do nosso ponto de vista, o resultado final. Mas são importantes como experiências e lições para qualquer força política, e temos de aprender com isso.

Nos três primeiros anos, o governo sofreu uma crítica duríssima do maior sindicato do Estado – o Centro dos Professores do Rio Grande do Sul (Cpers) – em relação ao piso nacional do magistério. Uma visão marcada pelo esquerdismo economicista que simplificava todo o debate num índice impraticável aprovado pelo Congresso e desconhecia que nenhum professor recebia menos que o piso e os reajustes dados pelo governo garantiam, no mandato, um ganho real superior a 50% com a manutenção do plano de carreira. A crítica foi dura e partidarizada, influindo em outras categorias e na opinião pública, por meio de caríssimas campanhas de outdoors que eram aproveitadas pela direita. O sectarismo era tão acentuado que a diretoria do Cpers foi derrotada na categoria, em 2014.

O Sindicado dos Médicos, de base estadual, desempenha um papel reacionário e corporativo com campanhas de rádio, jornal e TV em defesa de uma saúde abstrata contraposta às políticas governamentais sempre ditas insuficientes. Seu corporativismo fundamentalista é contra novas faculdades de medicina e colocou-se até contra o Programa Mais Médicos. Pregando um falso moralismo e uma categoria com grande influência nos setores médios, acaba tendo audiência pública.

A saída dos aliados, PSB e PDT, do governo também enfraqueceu o projeto. O primeiro sob a alegação da candidatura presidencial de Eduardo Campos, que, posteriormente com Marina, acabou no colo de Aécio. Uma trajetória galopante para a direita e para reforçar o antipetismo. O PDT afastou-se em razão da candidatura própria no estado, do deputado federal Vieira da Cunha. O prejuízo foi grande, pois levou o PDT, apesar do equívoco da candidatura que se revelou um fracasso, a não assumir com firmeza a candidatura Dilma, além da condição de opositor no estado, do governo de que havia participado.

No governo, tivemos problemas e equívocos consideráveis. O Conselhão, por suas características, não criava relações de protagonismo no governo que nos permitissem ampliar o número de pessoas que, se identificando com as políticas, fossem apoiadoras do projeto. Isso retirou esforços na direção dos conselhos estaduais ou de algo como o orçamento participativo, que são mecanismos muito mais seguros para o protagonismo e a identificação com as políticas aprovadas.

A falta de foco, de um plano previamente determinado, facilitou a dispersão de recursos sem uma hierarquia a ser buscada. A poderosa Secretaria de Infraestrutura não conseguia operar obras e serviços, debatia-se num leque enorme de ações e, periodicamente, perdia tempo, esforços e recursos financeiros em projetos inviáveis.

A manutenção do sistema eleitoral com voto nominal, financiamento por empresas e coligações proporcionais foi outro fator de prejuízo. Dificultou alianças mais programáticas, pulverizou as campanhas individualizadas e estas se automatizaram sem compromisso programático e material com as campanhas majoritárias. A maioria dos panfletos, santinhos, fôlderes, cartazes etc. dos candidatos dos partidos aliados não divulgavam a chapa majoritária para governador e senador.

Por fim, a campanha teve um atraso injustificável e falta de material. É conhecida a fragilidade estrutural dos partidos, inclusive o nosso. Numa campanha dominada pelo poder econômico, a fragilidade do PT é enorme. Refiro-me não apenas aos recursos arrecadados para os candidatos, mas aos recursos disponíveis e potenciais em cada município (sedes, veículos, implantação social, disponibilidades de militantes etc.). Nesse aspecto, a estrutura partidária é muito débil e, nos momentos eleitorais, a burguesia e seus partidos contam com os clubes, as igrejas, a propriedade do comércio, das empresas, dos serviços, das rádios e jornais, transformando-os em uma força considerável.

A soma dessas questões alteraria o resultado se evitadas ou corrigidas? Penso que não. Existem situações conjunturais dificilmente reversíveis, mas, ao menos, precisamos e devemos ter consciência e aprender em cada circunstância dessas, para nos prepararmos para as próximas.

*Raul Pont é deputado estadual (PT-RS)

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Feijoada à Catarinense de Frutos do Mar

novembro 28, 2014

Ingredientes:

Caldo de Peixe

* Use as aparas (cabeça, pele e espinhas) de peixe branco

* 1 talo de salsão

* meia cebola

* meia cenoura

* 1 amarrado de salsa e cebolinha verde

* 50ml de vinho branco

* 1 litro de água

* sal a gosto

Feijoada

* 3 colheres de azeite de oliva

* 1 colher de manteiga

* colher de alho picado

* 2 colheres de cebola picada

* 200g de camarões médios sem casca

* 100g de vieiras fora das conhas

* 100g de fatias de polvo pré-cozido

* 100g de mexilhões fora das conhas

* 2 xícaras de feijão branco já cozido

* uma xícara de caldo de peixe

* meia xícara de tomate picado

* sal e pimenta do reino

* salsa, cebolinha e manjericão picados “a gosto”

* pimenta vermelha para decorar

* batatas cozidas

Modo de Preparar

Caldo

– coloque todos os ingredientes em uma panela

– cozinhe em fogo baixo evitando que ferva

– retire a espuma que se forma sobre o caldo

– cozinhe por cerca de uma hora

– Coe e utilize o conteúdo no preparo da feijoada

A Feijoada

– aqueça o azeite e a manteiga em uma frigideira

– doure a cebola e o alho sem deixar queimar

– acrescente os camarões em fogo alto. Mexa e cozinhe por 2 minutos

– acrescente os mexilhões e incorpore os ingredentes

– coloque o feijão branco já cozido

– acrescente o caldo de peixe e deixe levantar fervura. Cozinhe por quatro minutos

– tempere com sal e pimenta do reino branca

– acrescente as ervas, misture e deslique

– doure as batatas em azeite e tempere com salsinha

– sirva a feijoada com as batas douradas e arroz branco, acompanhada com vinho branco!

 

Coma com moderação……

Jornal Diário Catarinense: a maior estrutura de estado no mundo é aqui em SC

novembro 13, 2014

Gudionaldo Rezende é consultor de negócios em Itajaí. Ex-presidente do Diretório Central dos Estudantes da Univali e radialista, envia e-mail criticando a super estrutura do governo catarinense com secretarias. Diz: “Gostaria de ver publicado esse e-mail que te envio. Fico chocado com o silêncio de parte da imprensa e dos empresários de Santa Catarina porque não dizer da população como um todo. Diante dessa aberração que é feita em nosso estado, como podemos ter 52 secretários de estado? Não posso calar-me diante de tamanha aberração”. Veja:

“1 – Secretaria da Administração;

2 – Secretaria da Agricultura e da Pesca;

3 – Secretaria da Assistência Social, Trabalho e Habitação;

4 – Secretaria da Casa Civil;

5 – Secretaria da Comunicação;

6 – Secretaria da Defesa Civil;

7 – Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Sustentável;

8 – Secretaria da Educação;

9 – Secretaria da Fazenda;

10-Secretaria da infraestrutura;

11-Secretaria da Justiça e Cidadania;

12-Secretaria do Planejamento;

13-Secretaria da Saúde;

14-Secretaria da Segurança Pública;

15-Secretaria de Turismo;

16-Secretaria de Articulação Nacional;

Mais 36 Secretarias Regionais:

Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Araranguá
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Blumenau
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Braço do Norte
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Brusque
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Caçador
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Campos Novos
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Canoinhas
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Chapecó
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Criciúma
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Concórdia
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Curitibanos
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Dionísio Cerqueira
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional da Grande Florianópolis
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Ibirama
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Itajaí
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Itapiranga
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Ituporanga
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Jaraguá do Sul
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Joaçaba
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Joinville
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Lages
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Laguna
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Mafra
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Maravilha
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Palmitos
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Quilombo
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Rio do Sul
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de São Joaquim
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de São Lourenço do Oeste
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de São Miguel do Oeste
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Seara
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Taió
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Timbó
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Tubarão
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Videira
Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional de Xanxerê”

Todo militante do PT deve ler!

novembro 10, 2014

Com o tempo, o PT deixou de valorizar o trabalho da formiga e passou a entoar o canto da cigarra. O projeto de Brasil deu lugar ao de poder

A disputa presidencial se resumiu em um verbo predominante na campanha: desconstruir. Em 12 anos de governo, o PT construiu, sim, um Brasil melhor, com índices sociais “nunca vistos antes na história deste país”. Porém, como partido, houve progressiva desconstrução.

A história do PT tem seu resumo emblemático na fábula “A cigarra e a formiga”, de Ésopo, popularizada por La Fontaine. Nas décadas de 80 e 90, o partido se fortaleceu com filiados e militantes trabalhando como formigas na base social, obtendo expressiva capilaridade nacional graças às Comunidades Eclesiais de Base, ao sindicalismo, aos movimentos sociais, respaldados por remanescentes da esquerda antiditadura e intelectuais renomados.

No fundo dos quintais, havia núcleos de base. Incutia-se na militância formação política, princípios ideológicos e metas programáticas. O PT se destacava como o partido da ética, dos pobres e da opção pelo socialismo.

À medida que alcançou funções de poder, o PT deixou de valorizar o trabalho da formiga e passou a entoar o canto presunçoso da cigarra. O projeto de Brasil cedeu lugar ao projeto de poder. O caixa do partido, antes abastecido por militantes, “profissionalizou-se”. Os núcleos de base desapareceram. E os princípios éticos foram maculados pela minoria de líderes envolvidos em maracutaias.

Agora, a cigarra está assustada. Seu canto já não é afinado nem ecoa com tanta credibilidade. Decresceu o número de sua bancada no Congresso Nacional. A proximidade do inverno é uma ameaça.

Mas onde está a formiga com suas provisões? Em 12 anos, os êxitos de políticas sociais e diplomacia independente não foram consolidados pela proposta originária do PT: “Organizar a classe trabalhadora” e os excluídos.

Os avanços socioeconômicos coincidiram com o retrocesso político. Em 12 anos de governo, o PT despolitizou a nação. Preferiu assegurar governabilidade com alianças partidárias, muitas delas espúrias, em vez de estreitar laços com seu esteio de origem, os movimentos sociais.

Tomara que Dilma cumpra sua promessa de campanha de avançar nesse quesito, sobretudo no que diz respeito ao diálogo permanente com a juventude, os sem-terra e os sem-teto, os povos indígenas e os quilombolas.

O PT até agora robusteceu o mercado financeiro e deu passos tímidos na reforma agrária. Agradou as empreiteiras e pouco fez pelos atingidos por barragens. Respaldou o agronegócio e aprovou um Código Florestal aplaudido por quem desmata e agride o meio ambiente.

É injusto e ingênuo pôr a culpa da apertada e sofrida vitória do PT nas eleições de 2014 no desempenho de Dilma.

Se o PT pretende se refundar, terá que abandonar a postura altiva de cigarra e voltar a pisar no chão duro do povo brasileiro, esse imenso formigueiro que, hoje, tem mais acesso a bens materiais, como carro e telefone celular, mas nem tanto a bens espirituais: consciência crítica, organização política e compromisso com a conquista de “outros mundos possíveis”.