Archive for janeiro \23\UTC 2015

Crise d’água: Alckmin está perdido e o PSDB está tonto!

janeiro 23, 2015

Agora eles, governador e sua gente tucana, reagem. Apenas isso. Daí a cada dia Geraldo Alckmin anuncia uma coisa, uma alternativa como solução para a crise. Ontem o governador anunciou que vai transpor água da represa Billings (zona sul paulistana e região do ABCD) para os sistemas de abastecimento Cantareira e Alto Tiete, cujos reservatórios continuam continuam secando (Cantareira tinha, ontem, só 5,5% de sua capacidade, já com o uso do volume morto).

Mas o governador jogou sua “proposta” no ar. Não sabe quando começa a tal transposição, não sabe se ela é viável, não cita datas e os técnicos dizem que a alternativa, se funcionar, só tem condições de oferecer resultados em 2018.
Os tucanos paulistas tiveram a chance e podiam ter tomado as necessárias medidas preventivas para evitar que a situação chegasse a esse ponto há 5 anos, quando técnicos e especialistas — da USP inclusive — entregaram em 2009 ao então governador José Serra as sugestões e advertências de que se não fossem adotadas providências, chegaríamos a essa calamidade.
Tucanos engavetaram alternativas em 2009 e agora correm de um lado para outro
Mas a maior parte das propostas era obra que ia para debaixo do chão. Engavetaram tudo e agora Geraldo Alckmin fica correndo de um lado para outro, de uma solução paras outra. aliás, outra proposta que a SABESP anunciou, de redução ainda maior da pressão da água na rede, foi criticada por unanimidade pelos técnicos.
Eles dizem que a medida vai contaminar e prejudicar a qualidade da água e boa parte desses técnicos defende outra solução: combate já,  imediato ao desperdício de água que na rede paulista ultrapassa os 35% um dos índices mais altos do mundo. Hoje o presidente da SABESP anunciou que poderá vir rodízio de água por aí — quer dizer, ele deve estar se referindo à oficialização de um rodízio no abastecimento, que já existe há anos em muitos e muitos bairros da capital e grande São Paulo.
E assim, enquanto correm de um lado para o outro e não solucionam o problema do racionamento (na prática) e da falta d´água os tucanos paulistas literalmente tapam buracos para que a água não acabe de vez para milhões de paulistanos e paulistas,com efeitos devastadores sobre a atividade econômica e riscos incalculáveis para a saúde publica.
Têm medo de expor a real situação e de tomar medidas drásticas
Adotam um comportamento errático, a cada dia uma descoberta da “pólvora”, ao invés de expor ao país e a São Paulo a real situação e tomar medidas drásticas como o racionamento real e assumido e mobilizar toda a sociedade na capital paulista e no Estado São Paulo para superar a crise e buscar saídas emergenciais.
Mas, não, não têm coragem de encarar nada disso. O governador Alckmin, seguro do apoio da mídia e de sua maioria fisiológica na Assembleia Legislativa, do silêncio do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP), do Ministério Público Estadual (MPE-SP) e do Judiciário, da cumplicidade portanto dos poderes públicos, empurra com a barriga a crise.
Continua alternando fugas e desaparecimentos (como registraram os jornais no início da semana, quando ele se escondeu para não falar da crise d’água) com entrevistas afáveis e simpáticas, sorrindo… uma tragicomédia!

No Blog do Zé

 

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Achar que problemas se resolvem com pena de morte é burrice e falácia!

janeiro 21, 2015

Desde a execução do brasileiro Marco Archer Cardoso, condenado à morte por tráfico de drogas e fuzilado pelas autoridades da Indonésia no último sábado (17), surgiram nas redes sociais comunidades comemorando a morte do carioca. Eventos falsos chegaram a anunciar a transmissão ao vivo dos últimos momentos de Cardoso com a narração de Galvão Bueno.

“Ele merecia isso”, “bem feito!”  foram frases que apareceram nos últimos dias. Talvez cause estranhamento o fato de aplaudir a execução de um compatriota no exterior. A que isso se deve? “Esses comentários são feitos principalmente por grupos conservadores da classe média brasileira. Eles espelham uma demanda por mais repressão contra grupos que no seu imaginário são as fontes da violência. No caso em questão, os traficantes”, explica Joel Birman, psicanalista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Segundo pesquisa Datafolha de setembro de 2014, 43% dos brasileiros apoia a pena de morte, contra 52% que acreditam que não cabe à Justiça matar uma pessoa, mesmo que ela tenha cometido um crime grave.

Para Birman, ao defender a pena de morte como uma solução para a criminalidade, as elites brasileiras ignoram o fato de que uma espécie de pena de morte, na prática, já é aplicada. “A classe média não enxerga como funciona o modelo repressivo brasileiro, que concentra os mortos e a violência nas camadas mais pobres.”

Ignácio Cano, professor da UERJ e pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência, afirma que o Brasil não está sozinho na crença de que a pena capital é uma solução adequada para punir e para coibir o crime. “Há uma tendência favorável mundial pela aplicação da pena de morte e pelo endurecimento penal: as pessoas acham que o crime se resolve com uma legislação mais dura. Só que não é assim. As polícias brasileiras matam por ano muito mais gente do que muitos países que adotam a pena de morte. E isso não resolveu absolutamente nada.”

Cano acredita que a solução para impunidade no país é o “bom trabalho da polícia, com investigação e apuração”, agindo de acordo com a lei. “Achar que nossos problemas se resolvem com pena de morte e mais repressão é uma falácia.”

Para Antonio Carlos Amador Pereira, professor de psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, comemorar a morte de alguém é uma reação emocional, “desprovida de análise”. “Uma resposta mais afetiva está relacionada à falta de informação. As pessoas alegam se sentir vingadas com a morte do traficante. Mas isso não se sustenta objetivamente. Vingado por quem? Pelo quê? É a lógica primitiva do olho por olho e dente por dente. Se você pegar uma criança pequena, essa é a moral que ela irá utilizar”, diz.

O professor destaca também o anonimato da internet como combustível para este tipo de comentário: “Nas redes sociais as pessoas se sentem protegidas, ninguém se responsabiliza pelo que diz, pelo que escreve.”

Eugênio Bucci, professor de Ética da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, acredita que “na internet as pessoas falam como se vivêssemos em uma horda selvagem, como se matar uma pessoa resolvesse alguma coisa. Lá as pessoas expressam juízos altamente preconceituosos. A pena de morte não é uma solução para a lentidão do judiciário ou para a impunidade.”

Bucci também afirma que existe uma hipocrisia por parte de setores da sociedade ao comemorar a execução do brasileiro: “Fico impressionado ao ver pessoas que são usuários de droga tendo este tipo de manifestação, pessoas que seriam potenciais clientes do criminoso executado. É muita hipocrisia”.

Camila Assano, coordenadora de politica externa e direitos humanos da ONG Conectas, afirma que os comentários louvando a execução de Marcos explicitam a “banalização da vida” e um senso distorcido de vingança e justiça. “As pessoas que defendem a pena de morte para acelerar a punição e acabar com a impunidade estão equivocadas: em muitos casos a execução da pena demora muito mais – contanto que seja cumprido o processo legal”, explica.

 

A crise de gestão no estado de São paulo

janeiro 21, 2015

A parceria entre grupos de mídia e governo do estado de São Paulo criou uma miragem que está se esfumaçando com a crise da água: a de que o estado foi bem gerido nos últimos vinte anos.

A enorme blindagem proporcionada, a necessidade de apresentar um contraponto positivo ao governo federal, tornaram o período Alckmin-Serra-Alckmin o mais medíocre da história moderna de São Paulo.

Quase todos os governantes paulistas deixaram marcas na história do Estado, de Paulo Egydio a Franco Montoro, de Orestes Quércia a Mário Covas. Do período Alckmin-Serra, ficam as lembranças de um desmonte geral na administração pública e da mediocridade absoluta, da incapacidade de gerar uma ideia inovadora.

O que se viu foi a anti-gestão, a inércia imperando em todos os níveis administrativos, governantes sem capacidade de decisão até para enfrentar problemas inevitáveis.

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Em 2003, a Grande São Paulo atravessou uma crise de água e os estudos da época já apontavam que, sem novos investimentos, a capacidade de fornecimento de água da Sabesp só bastaria até 2010.

Nada foi feito. A Sabesp serviu apenas como trampolim para operadores do partido, como esse inacreditável Gesner de Oliveira.

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A gestão José Serra foi marcada pela fuga permanente no enfrentamento dos problemas.

Serra foi o principal responsável pela grande enchente de 2008, ao cortar as verbas do Estado destinadas ao desassoreamento do rio Tietê. Quando sobreveio o desastre, escondeu-se da população, não apareceu em público, sequer para coordenar a defesa civil.

Na greve da Polícia Militar escondeu-se no Palácio dos Bandeirantes, recusando-se a negociar. Quando o pau comeu, cedeu depressa, inclusive com concessões na área de aposentadoria que comprometeram as contas públicas futuras do estado.

Na grande crise econômica de 2008, para ser recebido pelo governador, industriais do setor de máquinas e equipamentos ameaçaram se juntar aos trabalhadores para um piquete na porta do Palácio. E não se viu uma estratégia sequer anticíclica. Pelo contrário. Em um momento de crise profunda, Serra implementou a substituição tributária, pressionando ainda mais as empresas e liquidando com as isenções da Lei do Simples.

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Ao final da sua gestão, Serra deixou em crise a Universidade de São Paulo, o Instituto Agronômico, o Memorial da América Latina, o Museu do Ipiranga, o Instituto Butantã, a própria Sabesp, a Fundação Padre Anchieta e o sistema cultural do estado – todos aparelhados por apaniguados ou abandonados à sua sorte, no melhor estilo que o PSDB critica no PT.

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De seu lado, Alckmin assistiu inerte São Paulo caminhar para a potencialmente mais letal crise da sua história: a expectativa de falta d’água generalizada nos próximos meses..

Tendo especialistas de alto nível na Poli ou mesmo no campo federal, levou dois anos para convoca-los e começar a enfrentar a crise.

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No plano federal, o primeiro governo Dilma fez-se merecedor da enxurrada da críticas que se abateu sobre seu voluntarismo.

Se a régua que a mede fosse usada para o governo de São Paulo, Dilma se tornaria uma Margareth Thatcher.

 

luis nassif