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“O PT tende a virar um arremedo do PMDB”

março 30, 2015

Ícone do PT , Frei Betto diz que a única saída para o partido que governa o País há 12 anos é voltar às origens e buscar a governabilidade com os movimentos sociais.

Um mês depois de ser reeleita, a presidente Dilma Rousseff recebeu Frei Betto e o Grupo Emaús, da Teologia da Libertação, no Palácio do Planalto. Durante uma hora e vinte minutos, também na presença do chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, ouviu uma série de críticas e sugestões para que o governo continuasse “implementando o projeto que tanto beneficia a sociedade brasileira, principalmente os mais vulneráveis”.

A conversa, de acordo com ele, foi ótima. “Só que, de repente, vem o Joaquim Levy com um ajuste fiscal penalizando, sobretudo, os mais pobres. Quem assistiu ao filme Adeus, Lenin! pode fazer o seguinte paralelo: se um cidadão brasileiro, disposto a votar na reeleição da Dilma, tivesse entrado em agonia no início de agosto de 2014 e despertasse agora, neste mês de março, no hospital e visse o noticiário, certamente estaria convencido de que o Aécio havia vencido a eleição”.

Frei Betto – que, com as comunidades eclesiais de base, ajudou a fundar o PT e, como assessor especial do ex-presidente Lula, coordenou o programa Fome Zero – diz que o que falta ao governo, desde 2003, é “planejamento estratégico”. Segundo ele, que é amigo do ex-presidente Lula há mais de 30 anos e conhece a presidente Dilma desde a infância – “somos da mesma rua em Belo Horizonte” –, em doze anos de governo, o PT não conseguiu tirar do papel nenhuma reforma de estrutura prometida em seus documentos originais e, ao chegar ao governo, “trocou um projeto de Brasil por um projeto de poder, escanteou os movimentos sociais” e ficou “refém desse Congresso, dependendo de alianças espúrias”.

“Agora, seu grande aliado, o PMDB, se rebela e cria – com o perdão da expressão – uma cunha renana para asfixiar o Poder Executivo”.

Qual a saída? “O PT ser fiel às suas origens. Buscar a governabilidade pelo estreitamento de seus vínculos com os movimentos sociais. Fora disso, tenho a impressão de que estamos começando a assistir ao começo do fim. Pode até perdurar, mas o PT tende a virar um arremedo do PMDB”, sentencia ele, que é autor de 60 livros, entre eles A Mosca Azul (“uma reflexão sobre a história do poder e a história do PT no poder”) eCalendário do Poder (“um diário do Planalto”), ambos editados pela Rocco.

A seguir, os principais trechos da conversa com Frei Betto, que recebeu a coluna no Convento Santo Alberto Magno, no bairro de Perdizes, onde mora.

Como o senhor avalia o atual momento do País?

O Brasil está vivendo um momento de crise política e econômica. Prevejo quatro anos de governo Dilma com muita turbulência, manifestações, greves, impasses. E me pergunto se, em 2018, o PMDB apoiará o candidato do PT. Como bom mineiro, desconfio que não e não me surpreenderei se o PMDB lançar um candidato próprio, com apoio do PSB e outros pequenos partidos. A questão é que tivemos 12 anos de governo do PT que, na minha avaliação, apesar de todos os pesares – e põe pesares nisso –, foram os melhores da nossa história republicana, sobretudo no quesito social. Efetivamente, 36 milhões de pessoas deixaram a miséria. Hoje, os aeroportos deixaram de ser um espaço elitista. Se vamos em um barraco de favela, lá dentro tem TV a cores, micro-ondas, máquina de lavar, fogão, geladeira, telefones celulares, talvez um computador e, possivelmente, no pé do morro, um carrinho que está sendo comprado em 60, 90 prestações mensais. Porém, essa família continua no barraco, sem saneamento, em um emprego precário, sem acesso a saúde, educação, transporte público e segurança de qualidade. O governo facilitou o acesso dos brasileiros aos bens pessoais, mas não aos bens sociais.

O que faltou?

Não tivemos, em doze anos, nenhuma reforma de estrutura, nenhuma daquelas prometidas nos documentos originais do PT. Nem a agrária, nem a tributária, nem a política. E aí poderíamos acrescentar nem a da educação, nem a urbana. Em suma, o que falta ao governo – e desde 2003 – é planejamento estratégico.

Como assim?

Governa-se na base dos efeitos pontuais, da administração de crises ocasionais, porque o PT trocou um projeto de Brasil por um projeto de poder. Permanecer no poder se tornou mais importante do que fazer o Brasil deslanchar para uma nação justa, livre, soberana e igualitária. Como é que um governo que pretende desenvolver a nação brasileira cria um ministério que eu qualifico de coral desafinado? O que tem a ver Joaquim Levy com Miguel Rossetto? Kátia Abreu com Patrus Ananias? José Eduardo Cardozo com George Hilton?

Em artigo publicado pouco antes das eleições, o senhor listou 13 razões para votar na Dilma. Agora, escreveu novo artigo, A Farra Acabou, com críticas ao governo. O que mudou?

O que mudou é que, infelizmente, aquelas 13 razões não foram abraçadas no segundo mandato de Dilma. A presidente montou um ministério esdrúxulo, que não conseguiu nem sequer ter um projeto de Brasil minimamente emancipatório, como era o Fome Zero. Aliás, o próprio governo que o criou o matou, substituindo-o por um programa compensatório chamado Bolsa Família – que é bom, mas não tem caráter emancipatório. Todo o governo opera agora em função de um detalhe, não de um projeto histórico, que é o ajuste fiscal. E penalizando os mais pobres, não o capital. Todas as bases desse ajuste estão em cima da redução do seguro-desemprego, do abono salarial, do imposto sobre o consumo. E nada em termos das grandes heranças, dos royalties que saem do País, das grandes transferências de dinheiro, dos brasileiros que têm dinheiro nos paraísos fiscais. A conta vai ser paga por aqueles que já lutam com dificuldade.

O senhor quer dizer que estamos em um caminho sem volta?

O grave do governo do PT – tendo sido construído e consolidado pelos movimentos sociais – foi, ao chegar ao Planalto, ter preferido assegurar sua governabilidade com o mercado e com o Congresso e escantear os movimentos sociais. Hoje, eles são tolerados ou, como no caso da UNE e da CUT, manipulados, invertendo o seu papel. Com isso, o PT ficou refém desse Congresso, dependendo de alianças espúrias. Agora, o seu grande aliado, o PMDB, se rebela, cria – com o perdão da expressão – uma cunha renana para asfixiar o Executivo. Se alguém me pergunta “qual é a saída”? É o PT ser fiel às suas origens. Buscar a governabilidade pelo estreitamento de seus vínculos com os movimentos sociais. Ou seja, o segmento organizado, consciente e politizado da nação brasileira. Fora disso, tenho a impressão de que estamos começando a assistir ao começo do fim. Pode até perdurar, mas o PT tende a virar um arremedo do PMDB. Creio que cabe hoje, ao governo, fazer uma autocrítica séria.

Por meio dos movimentos sociais é que seria possível recuperar a imagem do partido?

Exatamente. O PT precisa sair da posição de bicho acuado em que se colocou. O partido, até hoje, não declarou se os envolvidos no mensalão são inocentes ou culpados; o partido, até hoje, não declarou se ele, que governa o Brasil e, portanto, a Petrobrás, tem ou não responsabilidade na devassa que está sendo feita na maior empresa brasileira. O partido se afastou das bases sociais. Onde estão os núcleos populares que, nos anos 80, encantavam todas as pessoas que chegavam na zona leste de São Paulo, em uma favela, e a dona Maria, orgulhosamente, mostrava um barracão que era a sede do núcleo do PT? Onde está o trabalho de base, de formação política? Embora não tenha sido militante do PT, mas como ajudei a construir o partido por meio do trabalho pastoral, hoje me pergunto: onde estão os líderes do PT que, aos fins de semana, voltam para as favelas e periferias? Onde estão os líderes do PT que não tiveram um assombroso aumento de seu patrimônio familiar durante esses anos, a ponto de não se sentirem mais à vontade em uma assembleia de sem-teto, em uma aldeia indígena, em um fim de semana em um quilombola? Onde estão eles? Existem. São raros. Não vou citar nomes, mas tenho profundo respeito por militantes e dirigentes do PT que são muito coerentes com aquele PT originário. Mas, infelizmente, eles são exceção.

Como disse recentemente a senadora Marta Suplicy, “ou o PT muda ou acaba”.

É como já disse, o PT tem de mudar no sentido de voltar às suas origens e às suas bases sociais. Acabar não vai, porque tem tantos oportunistas que ingressaram no PT como rampa de acesso às benesses do poder, que o partido tende, inclusive, a inchar de gente que não tem nada a ver com as suas origens. Dou um exemplo: curiosamente, coincidindo com o dia em que a presidente entrega à nação um pacote anticorrupção, no estado do Rio um prefeito é flagrado na corrupção. O que esse cidadão tem a ver com a história de um partido que, ao nascer, se afirmou por três capitais: ser o partido ético na política brasileira, ser o partido dos pobres e ser o partido que, a longo prazo, construiria uma alternativa ao País, com uma sociedade socialista? O PT abandonou os três capitais. Esse pessoal que não tem a ver com o PT viu que, sendo do partido, o maná cai do céu. Fico me perguntando quantos outros exemplos não devem existir por esse Brasil afora?

Poderíamos apontar um culpado por esse rumo diferente que o partido tomou? O ex-presidente Lula?
Jamais, na minha análise – isso é um princípio – personalizo os acontecimentos. Porque não acredito que a história humana seja feita por meio de salvadores da pátria. É feita de movimentos e processos sociais. É preciso que haja uma luta interna no PT muito acirrada para que o partido seja minimamente coerente com suas origens e propostas.

O senhor é a favor do “volta, Lula”? Ele poderia “salvar” o governo desta atual crise?

Minha avaliação é que Lula só não será candidato à presidência em 2018 se morrer. Fora isso, tenho absoluta segurança de que ele será candidato. Não foi ele que me disse isso, é apenas da minha cabeça. Mas a questão não é “com o Lula voltando, as coisas vão se resolver”. O problema é o rumo que o partido tomou e imprimiu ao governo do Brasil. Há coisas extremamente positivas, mas a expectativa era muito maior. Governo se faz com luta interna, aprendi isso nos dois anos em que estive lá. Governo é como feijão, só funciona na panela de pressão. Aquilo é um caldeirão em fervura permanente. Mas é preciso que haja alguns segmentos dentro do governo capazes de elaborar uma proposta estratégica a longo prazo, que sirva de norte para as políticas. E isso não existe hoje.

O que existe?

Um pacote de propostas pontuais. A falta de horizonte histórico no projeto do governo, agravada pelo fim das ideologias libertárias desde a queda do muro de Berlim, é o que explica por que o debate político hoje desceu do racional para o emocional. É como briga de casal. Quando se perde um projeto amoroso ou da família, emoções afloram, insultos, ofensas, sentimento de ira e vingança, porque não se tem horizonte. Quando esse horizonte histórico existe, quando se tem projeto estratégico, o debate democrático fica no nível da racionalidade, não da emocionalidade. Mas essa fúria nacional que perpassa todos os ambientes só vai terminar se houver alguma força política que aponte um projeto histórico.

frei betto

O carnaval da Globo nas manifestações de ontem…..

março 16, 2015

É fato que as manifestações de ontem mobilizou muita gente, claro que foi o grande encontro dos eleitores do Aécio Neves. Não vamos esquecer que essa manifestação foi convocada durante três meses, mesmo assim a rede Globo jogou todo seu peso e aparato econômico para inflar com eleitores derrotados. As transmissões começaram logo pela manhã a chamar o povo, informando inclusive um roteiro de como chegar mos locais e com imagens dos locais, dizia até como as pessoas deveriam se vestir e sempre que possível fazendo referência à família, a mesma família que ela destrói durante a semana em suas novelas. O que vimos foram cenas de intolerância e ódio, as pessoas cegamente no intuito de atingir a Presidenta Dilma e o PT produziram imagens deploráveis.

Vejamos que até horário do futebol a Globo trocou, portanto foi muito esforço para atingir seus objetivos. Evidente que alguns fatores também contribuíram, a própria fala da Presidenta no último domingo e as manifestações de apoio ao governo na sexta-feira que deixaram eles no desafio de colocarem mais gente nas ruas.

Reafirmo que não foi as redes sociais e muito menos o PSDB que colocou as pessoas nas ruas, e relato um fato para confirmar esse a afirmação. Na sexta-feira os organizadores tinham convocado uma manifestação para dois locais um no Rio de Janeiro e outro em São Paulo e segundo informações tinham confirmado presença mais de 58 mil pessoas, pasmem,  não apareceu ninguém. Isso só reforça minha convicção que sem a Rede Globo eles não movimentam ninguém, falo da Rede Globo porque ela é quem coloca o resto da imprensa na pauta, é bom lembrar que a Globo decidiu sangrar a Presidenta Dilma e o PT e faz questão de deixar isso muito claro.

O estado de São Paulo mostrou mais uma vez que se tornou um reduto da direita, aliás, esse estado sempre se destacou na história como uma trincheira conservadora e atrasada, os desafios do PT por lá não serão fáceis, mais sobre esse tema falarei depois “os desafios do PT para sair da emboscada”.

Por fim, o carnaval promovido pela Globo deve nos deixar algumas lições: 1 – a aliança com parte da burguesia acabou, basta ver que eles financiaram o aparato, que não foi barato; 2 – o governo precisa reagir urgente para que nossos eleitores não sejam contaminados por esse veneno; 3 – é fato que nossos eleitores estão irritados com algumas medidas anunciadas; 4 – a comunicação do governo precisa de outro formato, nossa comunicação hoje é feita por Jornalistas de direita em todas as assessorias, é uma lastima e nos levará a bancarrota; 5 – nossas lideranças se afastaram do povo e agora alguns tem até medo das pessoas, perdemos o cheiro do povo.

 

O sucesso das manifestações pró-governo!

março 14, 2015

 

As manifestações de hoje (13/03), a favor da Petrobras, pela reforma política e contra o desvario do impeachment foram bem sucedidas. Nas 22 capitais em que foram realizadas, foi considerável o afluxo de manifestantes. Milhares de cidadãos atenderam ao chamado da CUT.

Um mar vermelho tomou conta das capitais. Vermelho da CUT, mas também do PT. Incontáveis cartazes defendiam a Presidente Dilma. Outros tantos exigiam uma reforma política decente.

Nem a chuva pesada desanimou os manifestantes. A Avenida Paulista foi totalmente tomada pelos manifestantes, molhados da cabeça aos pés. Pela energia que demonstraram, se a avenida fosse alagada eles provavelmente teriam continuado a se manifestar, a nado.

A grande imprensa, sem condições de simplesmente ignorar o fato, dada sua proporção, prodigalizou nas tentativas de reduzir o tamanho do evento. Imagens gravadas no período da manhã, quando as pessoas ainda estavam chegando, foram apresentadas como se fosse do momento, mais tarde, o que dava a falsa impressão de que a quantidade de manifestantes não era relevante. Em outros locais, os cinegrafistas davam preferência a focalizar pontos onde as pessoas estava mais esparsas, algumas vezes as escondendo atrás de uma árvore ou de um prédio.

Os jornalistas repetiam à exaustão que as manifestações eram a favor da Petrobras. E só. Como se esse fosse o único objetivo do movimento. E, logo a seguir, falavam sobre a Operação Lava-Jato, sugerindo que a manifestação seria uma demonstração de indignação do povo contra o governo em função do problema na Petrobras.

Vez ou outra um jornalista mais desavisado lembrava que o ato era pró-governo também, mas em passagens rápidas.

Na GloboNews, a mesma estratégia. A comentarista política Cristiana Lobo informou, com movimento de sobrancelha e lançamento de olhares sugestivos, que o movimento foi inicialmente programado para ser contra o governo, mas que posteriormente o governo cooptou a CUT e conseguiu, não somente mitigar a crítica, mas transformar o movimento num ato pró-governo.

O sucesso das manifestações pró-governo largou uma batata quente nas mãos dos organizadores das manifestações contra o governo, programadas para o próximo dia 15, domingo. A comparação entre as quantidades de manifestantes será inevitável. Aquele que atrair maior número de manifestantes sairá vitorioso na guerra de trincheiras que vem sendo travada na internet.

Será uma reedição da apuração da eleição, com o povo dividido entre as duas opções? Ou, desta vez, um dos lados conseguirá emocionar maior parcela da população? Veremos.

Claro que, para a grande imprensa, o ato contra o governo será o vitorioso se apresentar uma boa quantidade de manifestantes, mesmo que muito inferior ao do pró-governo. Novamente será importante o trabalho dos cinegrafistas, só que ao contrário. Farão quase um photoshop da realidade.

Contudo, nem a grande imprensa irá sustentar uma bazófia dessas se o fracasso for retumbante.

E o risco de fracasso é grande, ao menos fora de São Paulo e dos estados do sul. Mesmo em São Paulo, num domingo à tarde… Difícil. Se chover, então, como aconteceu hoje, impossível.

Talvez Aécio consiga algo em Belo Horizonte, mas não são favas contadas. O povo de Minas não está dando essa bola toda para o senador, não.

O fracasso no nordeste é praticamente inevitável.

De qualquer forma, tudo será feito para tentar “salvar” a honra das passeatas contra o governo. Afinal, dizem as más línguas que a Globo é sócia do movimento, tendo inclusive solicitado a mudança de horário de um jogo para garantir um bom número de pessoas nas ruas. Faltou pedir aos restaurantes caros que fechassem as portas nesse domingo, o que garantiria mais gente bacana e elegante, gente “de bem” ou “de bens”, nas ruas protestando inclusive em inglês e francês, porque sem dúvida é mais chique. Será que levarão suas panelas Le Creuset para a Avenida Paulista?

Há mais um sinalizador importante vindo das manifestações de hoje: o povo afirmou claramente a sua disposição de lutar pela normalidade democrática e colocou na pauta dos assuntos políticos, como uma exigência de massa, o que parecia ser apenas um indicativo intelectual. A reforma política tornou-se uma agenda coletiva.

As reuniões de pauta das grandes redações devem estar alvoroçadas. Está ficando cada vez mais difícil escolher as manchetes a partir do pressuposto básico do cidadão Homer Simpson.

Na verdade, isso já está ficando ridículo.

autor: márcio valley

Dilma: A dimensão da vitória

março 13, 2015

Sei que não vou conseguir elencar todos os pontos da vitória da Presidenta Dilma, mais vou fazer um esforço pra isso. Após a posse da Presidenta para seu primeiro mandato, depois de uma vitória atribuída muito ao Presidente Lula, à direita no País ficam exatos três meses sem atacar a Presidenta, aí vem uma campanha ostensiva desencadeada pela Rede Globo denunciando vários Ministros do governo, alguns de fato tinham culpas. Lembramos que ela foi obrigada a demitir sete Ministros, inclusive um foi demitido porque comeu uma tapioca e pagou com o cartão ao qual ele tinha direito.

Em seguida a Presidenta enfrenta o julgamento do mensalão transmitido ao vivo, algo jamais visto no mundo, enfrentou a prisão de membros do partido, em seguida  vem a campanha diária amedrontando a população com ameaças de apagão, de inflação galopante, das obras que não ficariam prontas, depois as denuncias de que as obras foram superfaturadas enfim uma campanha diária para desconstruir a ideia da boa gestora.  Não podemos esquecer-nos das  vaias na abertura da copa e durante toda a copa diziam que ela tinha comprado a copa para se reeleger, isso escutei do meu barbeiro.

Durante a campanha os ataques diárias de intensificaram, vou ficar só nas manchetes da revista Veja,que conseguiu vazar tudo que era contra a Dilma na operação lava jato,  mais sabemos que todos os grandes jornais seguiam a mesma linha e o congresso usava isso contra a Presidenta e sua campanha, não posso deixar de citar a morte do Eduardo Campos que chegaram a insinua que ela tinha mandado derrubar o avião.

Travou-se uma batalha nas redes sócias jamais vista, na campanha do nosso principal adversário diversas pessoas foram contratadas para difamar e criar um clima de terrorismo contra o PT e por consequência a Dilma. A militância de esquerda se organizou e fez o contraponto de maneira que derrotamos nas redes as inverdades plantadas por eles, o resultado das eleições foi o que já sabemos.

A direita e seu candidato não se deu por derrotado, pediu recontagem de votos, auditoria nas urnas enfim….eles decidiram manter a linha de sangrar o PT e a Presidenta. Mais sobre isso falarei depois.

Portanto, nossa vitória foi extraordinária e nem temos a real  dimensão ainda.

 

 

Carta aberta aos militantes…..

março 12, 2015

Tenho certeza que muito do que escrevi aqui está nas mentes e corações de homens e mulheres que têm doado uma parcela importante de suas vidas para construir um instrumento de lutas chamado PT. Resolvi colocar pensamentos e sentimentos no papel após muitos diálogos, quando todos os interlocutores se mostraram indignados, assustados, aflitos, também confusos, mas com uma imensa disposição e força para defender o nosso patrimônio: esse binômio PT/governo. Sim, é um binômio. Engana-se quem pensa que um superará esse momento sem o outro.

A nossa primeira formulação, nessa escuridão gerada pela tempestade de fatos, é termos certeza de quem somos. Não podemos, em momento algum, ter crise de identidade: nascemos da força dos excluídos, parimos um projeto para eles, fizemos curvas, buscamos atalhos, mas o nosso maior objetivo é a construção de um Brasil sem exclusão social, sem preconceitos, discriminação e que radicalize a democracia em seu sentido mais amplo. O PT nasceu para esse objetivo, sua existência não tem outra razão que não seja ser instrumento dessa busca.

Se temos certeza de quem somos, se “olhamos no espelho da nossa história” e nos orgulhamos da nossa existência como um legado que já inspirou tantos países e tantas lutas, é hora de continuarmos a nossa reflexão. Que ninguém, absolutamente ninguém, que represente os interesses que jogaram o povo na miséria e no abandono por séculos, que ninguém que represente os interesses privados que se apropriam do Estado, venha nos dizer quem somos tentando destruir aquilo que simbolizamos: a esperança da maioria dos brasileiros. E a esperança, meus irmãos e irmãs de caminhada, é a única coisa que sobra para milhões que nasceram alijados das benesses do Estado.

Também é hora de reconhecermos que as instituições brasileiras funcionam, inclusive, porque nós investimos muito para que isso acontecesse. Os governos Lula e Dilma fortaleceram as instituições da democracia. Hoje, elas funcionam e têm legitimidade para isso.

Se a corrupção é endêmica e povoa as instâncias governamentais, ela tem que ser combatida com muita dureza. Companheiros e companheiras, nós sempre defendemos isso. Fomos nós que adotamos como política pública o Orçamento Participativo, a prestação de contas em plenárias populares, a radicalização da transparência. Isso tudo desde as nossas primeiras prefeituras. Errado está quem desrespeitou a nossa história. Se pessoas se utilizaram do PT para enriquecimento, toda vez que isso for provado, esses têm que pagar e nós temos que ser os primeiros a defender a penalização. Repito: nós nascemos e nossa existência só se justifica por sermos o maior e mais robusto instrumento de lutas “para a libertação integral do povo brasileiro”. Não podemos e não vamos servir a outros interesses.

É hora de recuperarmos, com muito orgulho, os nossos últimos feitos. Elegemos um líder operário, um retirante nordestino, alguém que representa a quebra da lógica política da elite brasileira, o homem que sonhou os sonhos do PT e da CUT, reinventando a organização dos movimentos sociais no Brasil. Isso, o nosso projeto coletivo levou o companheiro Lula para a rampa do Palácio do Planalto. Historicamente, isso já ia muito além do que a elite pensante nacional poderia um dia ter formulado. Mas nós mostramos que podíamos mais. A força do nosso projeto coletivo quebrou, mais uma vez, paradigmas e elegemos a primeira mulher presidenta do Brasil. Não apenas uma liderança mulher, a companheira Dilma foi forjada em sessões de tortura, nos esconderijos e celas, imposições do período em que a democracia foi aprisionada; sim, “uma filha da geração dos anos que não terminaram”, fruto da nossa dedicação, recebia a faixa presidencial do operário “que nunca estudou”. Companheiras e companheiros, a nossa capacidade de leitura da realidade, de construção política, de doação aos nossos sonhos quebrou a lógica dominante da história brasileira.

Em 12 anos de um mesmo projeto transformamos as políticas públicas. Trouxemos para as relações econômicas e sociais 40 milhões de brasileiros que viviam escondidos nos calabouços da miséria, mostramos que a ascensão social é possível, a educação se tornou a mola propulsora para o futuro de uma juventude que nunca teve futuro. Os negros, mulheres e índios entraram na agenda nacional, combatemos o preconceito, falamos de igualdade entre todos os brasileiros e brasileiras, não como um sonho inatingível, mas como algo palpável ao nosso cotidiano. O Estado brasileiro passou a funcionar não como instrumento de uma minoria, mas sim para levar direitos e benefícios para cada rincão desse continental país. O Brasil se tornou um país de todos.

Iniciamos agora nosso quarto mandato de um mesmo projeto. Sim, é um mesmo projeto, fruto de inspiração e muita luta coletiva. Esse início de mais um ciclo está marcado pela ofensiva conservadora, a pior da história da República.

Qual a novidade? Achávamos que a elite brasileira, insuflada por uma retomada das mobilizações da direita no continente, iria ficar assistindo nós nos sucedermos na presidência da República, consolidando o nosso projeto? Achávamos que a responsabilidade pela estagnação do ciclo de crescimento econômico, intensificado pela crise internacional, seria imputada ao cassino financeiro do capitalismo internacional volátil e usurpador de oportunidades? Que seriam responsabilizadas as elites que lutam para manter um Estado nacional arcaico, que carrega entulhos de um país que não existe mais? Achávamos que aqueles que hoje nos acusam, que também são os mesmos que armam trincheiras contra as reformas estruturais, seriam benevolentes conosco? Repito, qual a novidade?

Não há novidade, companheiras e companheiros. Há, sim, erros no nosso campo político. Nunca na nossa história assimilamos com tanta facilidade o discurso oportunista de uma direita golpista e nunca estivemos tão paralisados.

O nosso projeto construiu um Brasil de igualdade de oportunidades e estamos no caminho para vencer definitivamente a desigualdade. Nosso projeto pôs o Brasil de pé perante o mundo, criando uma nova geografia política e econômica para a América do Sul, a África se tornou prioridade nas relações internacionais e diversificamos o nosso comércio. Definitivamente, o Brasil rompeu com a dependência do Norte. Nosso projeto enfrentou a pior crise econômica mundial permitindo que o Brasil crescesse de forma responsável.

Agora queremos mais.

Vamos ajustar a nossa economia para que possamos continuar crescendo com justiça social. Vamos executar as medidas econômicas agora para que possamos cada vez mais dar garantias aos investidores, para que possamos atrair investimentos para a nossa infraestrutura e para a produção, gerando mais empregos e oportunidades. É hora de o nosso país consolidar o seu desenvolvimento de forma homogênea, superando as desigualdades regionais. Temos muito espaço para crescer fomentando as nossas exportações e o nosso mercado interno.

Quem trouxe o Brasil de forma segura até aqui, não permitindo que a crise internacional penalizasse os nossos empresários, empreendedores e principalmente os trabalhadores, saberá levar o Brasil, de forma segura, para um futuro ainda mais promissor.

Mas o nosso projeto vai além da agenda econômica. Só nós podemos liderar a batalha de uma verdadeira reforma política e eleitoral. Só nós podemos convocar uma mobilização para uma reforma tributária e fiscal que desonere os mais pobres, só nós podemos, historicamente, estar à frente de um projeto de Brasil que cresça de forma sustentável, sem exploração dos trabalhadores e destruição dos recursos naturais, só nós podemos articular um campo político que não admita retrocessos nos direitos civis e cidadãos.

Sem o PT não existirá esquerda forte no Brasil, não existirá campo progressista e transformador. Sem o PT, os excluídos, os jovens, negros, mulheres, índios, os trabalhadores, as vítimas do preconceito, perderão seu mais robusto instrumento de luta pela verdadeira igualdade.

Companheiras e companheiros: Há momentos na história que a dúvida leva à derrota e há momentos que o recuo leva ao aniquilamento. É hora de “pegarmos a nossa história nas mãos”, e com a certeza na frente revigorarmos os nossos sonhos e irmos para a luta política.

Somos quem somos porque temos história, somos quem somos porque temos capacidade de luta, somos quem somos porque temos a inteligência e sabedoria de quem nasceu e cresceu na adversidade, somos quem somos porque nunca desistimos. Somos quem somos porque aprendemos a teimar e foi teimando que transformamos o Brasil.

Até a vitória!

edinho silva

Crise é “forjada, mentirosa e induzida pela mídia….

março 12, 2015

A crise econômica e política pela qual o país atravessa neste momento é “em grande parte forjada, mentirosa, induzida, ela não corresponde aos fatos”, afirma o teólogo Leonardo Boff. Segundo o teólogo, a crise amplificada por uma dramatização da mídia. “Essa dramatização que se faz aqui, é feita pela mídia conservadora, golpista, que nunca respeitou um governo popular. Devemos dizer os nomes: é o jornal O Globo, a TV Globo, a Folha de S. Paulo, o Estadão, a perversa e mentirosa revista Veja.”

Em entrevista à Rádio Brasil Atual na segunda-feira (9), o teólogo disse que, no entanto, o atual nível de acirramento no cenário político não preocupa porque, para ele, comparado a outros contextos históricos, a “democracia amadureceu”. Ele diz acreditar, ainda, na emergência de uma “nova consciência política”.

Boff também considera que o cenário brasileiro é bastante diferente da Grécia, Espanha e Portugal, onde são registrados centenas de suicídios, por conta do fechamento de pequenas empresas e do desemprego, e até mesmo de países centrais, como os Estados Unidos, que veem a desigualdade social avançar.

“A situação não é igual a 64, nem igual a 54″, compara. “Agora, nós temos uma rede imensa de movimentos sociais organizados. A democracia ainda não é totalmente plena porque há muita injustiça e falta de representatividade, mas o outro lado não tem condições de dar um golpe.”

Para Boff, não interessa ao militares uma nova empreitada golpista. Restaria ao campo conservador a “judicialização da política”, e acrescenta: “Tem que passar pelo parlamento e os movimentos sociais, seguramente, vão encher as ruas e vão querer manter esse governo que foi legitimamente eleito. Eles têm força de dobrar o Parlamento, dissuadir os golpistas e botá-los para correr.”

Sobre o ‘panelaço’ ocorrido no domingo, durante o discurso da presidenta Dilma Rousseff para o Dia Internacional da Mulher, Boff afirma que o protesto é “totalmente desmoralizado”, pois “é feito por aqueles que têm as panelas cheias e são contra um governo que faz políticas para encher as panelas vazias do povo pobre”.

O teólogo afirma que a manifestação expressa “indignação e ódio contra os pobres” e são símbolo da “falta de solidariedade”; e que o “panelaço veio exatamente dos mais ricos, daqueles que são mais beneficiados pelo sistema e que não toleram que haja uma diminuição da desigualdade e que gostariam que o povo ficasse lá embaixo”.

(…)

leonardo boff