O sucesso das manifestações pró-governo!

 

As manifestações de hoje (13/03), a favor da Petrobras, pela reforma política e contra o desvario do impeachment foram bem sucedidas. Nas 22 capitais em que foram realizadas, foi considerável o afluxo de manifestantes. Milhares de cidadãos atenderam ao chamado da CUT.

Um mar vermelho tomou conta das capitais. Vermelho da CUT, mas também do PT. Incontáveis cartazes defendiam a Presidente Dilma. Outros tantos exigiam uma reforma política decente.

Nem a chuva pesada desanimou os manifestantes. A Avenida Paulista foi totalmente tomada pelos manifestantes, molhados da cabeça aos pés. Pela energia que demonstraram, se a avenida fosse alagada eles provavelmente teriam continuado a se manifestar, a nado.

A grande imprensa, sem condições de simplesmente ignorar o fato, dada sua proporção, prodigalizou nas tentativas de reduzir o tamanho do evento. Imagens gravadas no período da manhã, quando as pessoas ainda estavam chegando, foram apresentadas como se fosse do momento, mais tarde, o que dava a falsa impressão de que a quantidade de manifestantes não era relevante. Em outros locais, os cinegrafistas davam preferência a focalizar pontos onde as pessoas estava mais esparsas, algumas vezes as escondendo atrás de uma árvore ou de um prédio.

Os jornalistas repetiam à exaustão que as manifestações eram a favor da Petrobras. E só. Como se esse fosse o único objetivo do movimento. E, logo a seguir, falavam sobre a Operação Lava-Jato, sugerindo que a manifestação seria uma demonstração de indignação do povo contra o governo em função do problema na Petrobras.

Vez ou outra um jornalista mais desavisado lembrava que o ato era pró-governo também, mas em passagens rápidas.

Na GloboNews, a mesma estratégia. A comentarista política Cristiana Lobo informou, com movimento de sobrancelha e lançamento de olhares sugestivos, que o movimento foi inicialmente programado para ser contra o governo, mas que posteriormente o governo cooptou a CUT e conseguiu, não somente mitigar a crítica, mas transformar o movimento num ato pró-governo.

O sucesso das manifestações pró-governo largou uma batata quente nas mãos dos organizadores das manifestações contra o governo, programadas para o próximo dia 15, domingo. A comparação entre as quantidades de manifestantes será inevitável. Aquele que atrair maior número de manifestantes sairá vitorioso na guerra de trincheiras que vem sendo travada na internet.

Será uma reedição da apuração da eleição, com o povo dividido entre as duas opções? Ou, desta vez, um dos lados conseguirá emocionar maior parcela da população? Veremos.

Claro que, para a grande imprensa, o ato contra o governo será o vitorioso se apresentar uma boa quantidade de manifestantes, mesmo que muito inferior ao do pró-governo. Novamente será importante o trabalho dos cinegrafistas, só que ao contrário. Farão quase um photoshop da realidade.

Contudo, nem a grande imprensa irá sustentar uma bazófia dessas se o fracasso for retumbante.

E o risco de fracasso é grande, ao menos fora de São Paulo e dos estados do sul. Mesmo em São Paulo, num domingo à tarde… Difícil. Se chover, então, como aconteceu hoje, impossível.

Talvez Aécio consiga algo em Belo Horizonte, mas não são favas contadas. O povo de Minas não está dando essa bola toda para o senador, não.

O fracasso no nordeste é praticamente inevitável.

De qualquer forma, tudo será feito para tentar “salvar” a honra das passeatas contra o governo. Afinal, dizem as más línguas que a Globo é sócia do movimento, tendo inclusive solicitado a mudança de horário de um jogo para garantir um bom número de pessoas nas ruas. Faltou pedir aos restaurantes caros que fechassem as portas nesse domingo, o que garantiria mais gente bacana e elegante, gente “de bem” ou “de bens”, nas ruas protestando inclusive em inglês e francês, porque sem dúvida é mais chique. Será que levarão suas panelas Le Creuset para a Avenida Paulista?

Há mais um sinalizador importante vindo das manifestações de hoje: o povo afirmou claramente a sua disposição de lutar pela normalidade democrática e colocou na pauta dos assuntos políticos, como uma exigência de massa, o que parecia ser apenas um indicativo intelectual. A reforma política tornou-se uma agenda coletiva.

As reuniões de pauta das grandes redações devem estar alvoroçadas. Está ficando cada vez mais difícil escolher as manchetes a partir do pressuposto básico do cidadão Homer Simpson.

Na verdade, isso já está ficando ridículo.

autor: márcio valley

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